A onda de protestos no Irã, iniciada em 28 de dezembro de 2025, entra em seu 17º dia com relatos alarmantes de repressão violenta e um elevado número de vítimas.
Uma autoridade iraniana informou à agência internacional Reuters que “ao menos 2 mil pessoas, incluindo membros das forças de segurança, foram mortas” nas manifestações que se espalharam por 187 cidades em todo o país.

Os atos, considerados os maiores desde as revoltas de 2022 desencadeadas pela morte de Mahsa Amini, começaram com reclamações contra a grave crise econômica — marcada pela desvalorização drástica do rial (que perdeu cerca de metade do valor em 2025) e inflação superior a 40% em dezembro.
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Rapidamente, as demandas ganharam tom político, com manifestantes exigindo a renúncia do líder supremo Ali Khamenei, no poder desde 1989, e o fim do regime dos aiatolás.
Organizações de direitos humanos com sede no exterior, como a HRANA (Human Rights Activists News Agency) e a Iran Human Rights, apresentam balanços parciais que divergem, mas indicam centenas de civis entre as vítimas.
Dados compilados por ativistas apontam para 505 manifestantes e 133 agentes de segurança mortos, além de mais de 10,7 mil prisões. A dificuldade em verificar números exatos se deve ao apagão de internet imposto pelas autoridades, que persiste há dias e limita comunicações internas e externas.
O governo iraniano atribui a violência a “interferências externas”, acusando Estados Unidos e Israel de fomentarem o caos. Em resposta às ameaças do presidente americano Donald Trump, que mencionou “opções muito fortes” e afirmou estar “analisando algumas opções muito interessantes” em relação à crise, o aiatolá Khamenei mobilizou apoiadores e emitiu um “aviso aos políticos americanos”.
A repressão inclui uso de munição real, gás lacrimogêneo e prisões em massa, com hospitais em cidades como Teerã e Shiraz relatando sobrecarga por feridos e corpos não identificados. Marchas pró-regime também ocorreram, com a mídia estatal transmitindo funerais de agentes de segurança.
Essa crise representa o maior desafio ao regime iraniano em anos, agravado por sanções internacionais, derrotas regionais e descontentamento popular.
O Conselho de Segurança da ONU e potências ocidentais acompanham os desdobramentos, enquanto o futuro do país permanece incerto em meio à escalada de tensões.


















