Reza Pahlavi: o príncipe herdeiro exilado que se torna símbolo de esperança nos protestos contra o regime iraniano
Em meio à maior onda de protestos antigovernamentais no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, o nome Reza Pahlavi — filho do último xá Mohammad Reza Pahlavi — ressurge como figura central da oposição.
Aos 65 anos, o príncipe herdeiro, exilado nos Estados Unidos há mais de quatro décadas, tem usado redes sociais, vídeos em farsi e entrevistas internacionais para convocar manifestantes, apoiar a resistência e propor uma transição democrática.
Nascido em Teerã em 31 de outubro de 1960, Reza Pahlavi foi nomeado príncipe herdeiro em 1967, durante a cerimônia de coroação de seu pai. Ele estudou no Palácio de Niavaran e, aos 17 anos, foi enviado aos EUA para treinamento como piloto na Força Aérea.
A Revolução Islâmica de 1979 depôs Mohammad Reza Pahlavi, forçando a família ao exílio. O xá morreu em 1980 no Egito, e Reza assumiu simbolicamente o título de herdeiro. Desde então, vive principalmente em Los Angeles e Washington D.C., enquanto sua mãe, Farah Pahlavi, reside em Paris.
A família enfrentou tragédias: sua irmã Leila morreu em 2001 por overdose, e seu irmão Ali Reza cometeu suicídio em 2011.
Atualmente, Reza Pahlavi se posiciona como alternativa ao regime teocrático liderado pelo aiatolá Ali Khamenei, enfatizando que não busca restaurar a monarquia, mas liderar uma transição para uma democracia secular e liberdade. Ele defende que o povo iraniano decida o futuro por meio de referendo. Em entrevista recente à Fox News, declarou: “está preparado para voltar ao Irã ‘na primeira oportunidade’”.
Os protestos, iniciados em 28 de dezembro de 2025 por insatisfação econômica (inflação, desvalorização do rial e perda de poder de compra), evoluíram para demandas pelo fim do regime. Slogans como “Pahlavi voltará”, “Viva o rei” e “Javid Shah” ecoam nas ruas de mais de 100 cidades. Reza Pahlavi intensificou os apelos: convocou ocupação de centros urbanos, greves gerais (especialmente no setor de petróleo) e união sob a bandeira pré-revolucionária do leão e sol. Ele afirmou que o regime está frágil e que “a ajuda internacional também chegará em breve”, pedindo apoio a Donald Trump e líderes europeus.
Apesar do apoio popular em manifestações e na diáspora (com atos de solidariedade em cidades como Los Angeles, Londres e Paris), Pahlavi enfrenta críticas internas na oposição por sua proximidade com Israel (incluindo encontro com Netanyahu em 2023) e por ser visto como divisivo. Donald Trump, embora apoie os manifestantes, considerou prematuro um encontro formal com ele.
O regime responde com repressão violenta, blackout de internet desde 8 de janeiro e acusações de interferência externa (EUA e Israel). Organizações como HRANA e Iran Human Rights reportam centenas a milhares de mortes e detenções. Reza Pahlavi, em mensagens, reforça otimismo:
“Derramo as lágrimas que vocês devem esconder. Contudo, tenho certeza de que há luz além da escuridão. No fundo de seus corações, vocês podem ter a certeza de que este pesadelo, como outros em nossa história, passará” (declaração de 1980, resgatada em contexto atual).
O príncipe emerge como símbolo de nostalgia pela era pré-revolucionária e esperança de mudança, em um momento crítico para o futuro do Irã.


















