Em uma operação militar que marcou o fim de uma era na Venezuela, Cilia Flores, AUTO INTITULADA como a “Primeira Combatente” e esposa do ex-presidente Nicolás Maduro, foi capturada ao lado dele pelas forças especiais dos Estados Unidos. Aos 69 anos, a advogada que outrora libertou Hugo Chávez da prisão agora enfrenta acusações graves em um tribunal federal em Nova York. Mas quem é essa figura enigmática, descrita por analistas como o verdadeiro cérebro por trás do regime chavista? Baseado em relatos detalhados de sua trajetória, revelamos ponto a ponto a ascensão, o poder e a queda de uma das mulheres mais influentes – e controversas – da política venezuelana.
Entrada no Mundo Político
Cilia Adela Flores de Maduro nasceu em 25 de maio de 1956, na cidade de Tinaquillo, no estado de Cojedes, uma região rural da Venezuela. Formada em direito pela Universidade Santa Maria, em Caracas, ela se especializou em áreas trabalhista e criminal, ganhando reputação por sua inteligência afiada, meticulosidade e determinação implacável.
Sua ligação com o chavismo começou em 1992, durante a fracassada tentativa de golpe liderada por Hugo Chávez, que resultou em sua prisão. Enquanto muitos aliados desertavam, Flores assumiu o caso e desempenhou um papel crucial na libertação de Chávez, identificando nele o potencial para liderar o movimento bolivariano.

Foi nesse período que ela conheceu Nicolás Maduro, então um ativista sindical e motorista de ônibus que atuava na segurança de Chávez. Maduro, mais jovem e maleável, foi moldado pela experiência e pela visão estratégica de Flores. O casal, inseparável há mais de 30 anos, construiu uma parceria que transcendeu o pessoal e se tornou o alicerce do poder chavista.
A Ascensão ao Poder e o Controle nas Sombras
Com a eleição de Chávez em 1998, Flores emergiu como uma peça-chave no regime. Eleita para o Parlamento em 2006, ela se tornou a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional, cargo que ocupou até 2011. Nesse período, expulsou jornalistas críticos das sessões, aprovou leis sem questionamentos e transformou o órgão em um “negócio familiar”, nomeando dezenas de parentes – primos, tios, sobrinhos e cunhados – para posições estratégicas.
Após a morte de Chávez, em 5 de março de 2013, Flores atuou como mediadora em disputas internas do partido. Ela negociou com rivais como Diosdado Cabello, garantiu o apoio de facções militares e econômicas, e orquestrou a narrativa de Maduro como herdeiro legítimo. Maduro venceu as eleições de abril de 2013 por uma margem estreita – 50,61% contra 49,12% de Henrique Capriles –, apesar de contestações sobre fraudes.
O casamento oficial com Maduro, em 2015, após duas décadas de convivência, simbolizou sua parceria política. Como primeira-dama – ou “Primeira Combatente”, título que adotou para rejeitar o rótulo tradicional –, Flores operava nas sombras do Palácio de Miraflores. Maduro era a face carismática e pública, mas ela tomava as decisões reais, consultada em nomeações de ministros, promoções de generais e políticas econômicas.
Em crises como o reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino em 2019 por mais de 50 países, Flores coordenou respostas, manteve a lealdade das Forças Armadas, negociou com aliados como Rússia e China, e mobilizou a base chavista nas ruas. Vestida de vermelho nos comícios, sua retórica inflamada a tornava uma figura central, levando opositores a afirmar que a Venezuela tinha “dois presidentes”.
Escândalos
A trajetória de Flores foi marcada por controvérsias, especialmente o escândalo dos “Narcossobrinhos”. Em 10 de novembro de 2015, seus sobrinhos Efraim Antonio Campo Flores (29 anos) e Francisco Flores de Freitas (30 anos) foram presos no Haiti pela DEA, acusados de conspirar para importar cinco toneladas de cocaína para os EUA, avaliadas em mais de 200 milhões de dólares.
Gravações revelaram que os sobrinhos alegavam atuar com o conhecimento de Flores e Maduro, usando os recursos para financiar campanhas do PSUV. Condenados a 18 anos de prisão em Nova York em novembro de 2017, o caso foi chamado de “sequestro” por Maduro, enquanto Flores os defendeu como vítimas de perseguição imperialista.
Em 2019, Flores foi sancionada pelos EUA por corrupção, violações de direitos humanos e erosão democrática, com congelamento de ativos e proibição de entrada no país. Ela também foi ligada ao Cartel de los Soles, uma rede de tráfico de drogas controlada por oficiais militares venezuelanos, declarada grupo terrorista internacional em 2025.
A Captura Dramática e o Fim do Regime Maduro
As eleições de 2024 intensificaram a crise: Maduro enfrentou uma oposição unida, com María Corina Machado desqualificada e Edmundo González Urrutia como candidato. O regime anunciou vitória com 51% dos votos, mas contagens paralelas indicavam 67% para González. Flores rotulou manifestantes como “terroristas”, e a repressão resultou em mortes e prisões, levando ao reconhecimento internacional de González.
Em agosto de 2025, os EUA lançaram a Operação Lança do Sul, envolvendo forças navais e recompensas de 50 milhões de dólares por Maduro e 10 milhões por Flores. A captura ocorreu em 3 de janeiro de 2026, às 3:45 da manhã, em uma residência fortificada nas colinas de Caracas. A Força Delta usou helicópteros e distrações em bases militares para extrair o casal em 17 minutos, sob fogo cruzado.


















