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Acordo UE-Mercosul impacta o agronegócio brasileiro

Acordo UE-Mercosul com aprovação provisória abre caminho para maior zona de livre comércio do mundo e impacta o agronegócio brasileiro

A União Europeia (UE) aprovou provisoriamente, nesta sexta-feira (9 de janeiro de 2026), o acordo comercial com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), após mais de 25 anos de negociações.

O pacto cria a maior zona de livre comércio global, abrangendo 722 milhões de consumidores e um PIB combinado de US$ 22 trilhões envolvendo 31 países. A assinatura formal está prevista para a próxima semana no Paraguai, com posterior ratificação pelo Parlamento Europeu.

O agronegócio brasileiro se destaca como um dos principais beneficiados, pois a UE já é o segundo maior destino das exportações do setor, com US$ 25,2 bilhões em 2025 (14,9% do total).

O acordo prevê a eliminação ou redução gradual de tarifas para 95% das exportações brasileiras ao bloco europeu e 91% das importações europeias ao Mercosul, com prazos variando de 4 a 15 anos. A UE liberalizará 77% das tarifas agropecuárias, garantindo acesso preferencial a carnes, frutas, grãos, café e outros produtos.

Apesar das vantagens, o texto incorpora mecanismos de proteção para setores sensíveis, como cotas de exportação, tarifas internas e salvaguardas que permitem suspensão de benefícios em caso de prejuízo significativo aos produtores europeus (aumento superior a 8% no volume ou queda de 8% nos preços).

Barreiras regulatórias rigorosas, incluindo proibições a certos pesticidas (como tiofanato-metilo, carbendazim e benomil) em frutas cítricas, mangas e mamões, também limitam o potencial pleno das exportações.

Principais cotas e condições para o agronegócio

O acordo estabelece cotas específicas com tarifas reduzidas ou zeradas, ampliadas gradualmente:

  • Carne bovina: 99 mil toneladas (55% resfriada, 45% congelada), com tarifa interna de 7,5%; cota Hilton (10 mil toneladas de cortes nobres) com tarifa zerada.
  • Carne de aves: 180 mil toneladas, isenção imediata (50% com osso, 50% desossada).
  • Carne suína: 25 mil toneladas, tarifa de 83 euros/tonelada.
  • Açúcar: 180 mil toneladas, isenção imediata.
  • Etanol: 450 mil toneladas (industrial) + 200 mil toneladas (outros usos), isenção ou redução.
  • Arroz: 60 mil toneladas, isenção imediata.
  • Milho e sorgo: 1 milhão de toneladas, isenção imediata.
  • Mel: 45 mil toneladas, isenção imediata.
  • Queijos: 30 mil toneladas, ampliação gradual.
  • Suco de laranja: Redução tarifária em 7 e 10 anos (desconto de 50%).

Outros produtos como café torrado, abacates, melões, limões, uvas de mesa e crustáceos terão tarifas eliminadas em prazos de 4 a 10 anos.

Setores vencedores e desafios

Os maiores ganhos recaem sobre produtos onde o Brasil já é altamente competitivo: café (especialmente solúvel), suco de laranja, frutas frescas, óleos vegetais, pescados, crustáceos, produtos florestais, soja, carnes (aves e suínos), açúcar e etanol. Esses segmentos ganham margem, competitividade e previsibilidade no mercado europeu.

José Luiz Mendes, consultor da StoneX, explicou:

“O acordo favorece quem já opera em padrão internacional e consegue atender às exigências de sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade.”

Ele acrescentou: “Os maiores beneficiados são os setores em que o Brasil já é altamente competitivo e que passam a ter redução ou eliminação de tarifas ao entrar no bloco. Não é um acordo em que todo o agro ganha da mesma forma.”

Por outro lado, setores como laticínios (queijos, leite em pó), bebidas premium (vinhos) e parte da cadeia de carnes bovina enfrentam maior concorrência de produtos europeus subsidiados, com risco de pressão sobre preços e margens.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) destacou:

“Essa abertura reforça a posição do Brasil como um dos maiores fornecedores mundiais de produtos agrícolas e assegura vantagens competitivas no mercado europeu, mesmo em meio às regulamentações rigorosas do bloco.”

A aprovação provisória representa um passo histórico, mas o acordo ainda enfrenta resistências internas na UE (como França, Polônia e Irlanda) e depende de aprovações finais.

Para o agronegócio brasileiro, o pacto equilibra oportunidades de expansão com desafios de adaptação a padrões elevados de sustentabilidade e qualidade.

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