Banco Central inicia sindicância interna no Caso Banco Master: Análise de falhas na supervisão após colapso bilionário
O Banco Central abriu uma sindicância interna sigilosa para investigar possíveis deficiências no processo de supervisão e na liquidação extrajudicial do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. A determinação partiu do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, ainda no final de 2025, logo após a decretação da liquidação em novembro do ano passado.

O caso Banco Master ganhou destaque nacional quando a instituição oferecia CDBs com rendimentos de até 140% do CDI — patamar bem acima da média de mercado, que raramente superava 98% —, atraindo grande volume de investidores em busca de retornos elevados.
Esse modelo de captação agressiva permitiu crescimento acelerado, mas revelou graves problemas de solvência ao longo de 2024 e 2025.
Investigações paralelas da Polícia Federal apontam suspeitas de fraudes, incluindo operações cíclicas com a gestora Reag DTVM (liquidada em 15 de janeiro de 2026).
Um dos exemplos envolveu R$ 459 milhões emprestados a uma empresa ligada à Reag, que em transações sucessivas resultaram em reavaliação de ativos de baixa liquidez para R$ 10,8 bilhões e rentabilidade declarada superior a 10 milhões por cento em 2024 — números considerados atípicos quando comparados a ativos como Bitcoin ou ouro no mesmo período.
Outro ponto crítico é a tentativa de transferência de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões ao Banco de Brasília (BRB), alvo de operação da PF em 18 de novembro de 2025 por indícios de irregularidades. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, afastando administradores, bloqueando bens e priorizando a proteção de credores.
Durante a apuração interna, dois ex-responsáveis do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) — Belline Santana (chefe do departamento) e Paulo Sérgio Neves de Souza (ex-diretor de fiscalização e chefe-adjunto) — entregaram seus cargos comissionados.
Questionado sobre as demissões, o Banco Central informou: “a alternância de nomes em cargos comissionados é uma prática normal no âmbito da administração pública”.
De acordo com fontes da autarquia, a sindicância não tem caráter punitivo imediato nem busca “caça às bruxas”. O objetivo é realizar uma análise detalhada — comparada a uma investigação de acidente aéreo — para identificar falhas e propor aprimoramentos nos mecanismos de fiscalização futura.
O escândalo Master 2026 continua repercutindo, com prejuízos estimados em bilhões de reais e questionamentos sobre o tempo decorrido até a intervenção efetiva do regulador.
A apuração interna segue sem prazo definido para conclusão, enquanto investigações criminais externas avançam em paralelo


















