Câmara aprova suspensão de Glauber Braga por seis meses e vice-líder do PL é afastado da função por votar a favor da emenda
A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (10/12), por 318 votos a 111, emenda do PSol que substituiu a cassação do mandato do deputado Glauber Braga (PSol-RJ) por uma suspensão de seis meses.

A manobra frustrou o parecer do Conselho de Ética, aprovado em abril, que recomendava a perda definitiva do mandato e inelegibilidade por oito anos do parlamentar.
A votação expôs fissuras na bancada do PL. O vice-líder da legenda, deputado Bibo Nunes (RS), foi um dos poucos oposicionistas a apoiar a emenda do PSol. Horas depois, o líder do partido, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou a destituição imediata de Bibo Nunes do cargo de vice-líder.
Bibo Nunes justificou seu voto afirmando que, caso a emenda fosse rejeitada, o plenário teria de votar o parecer original pela cassação – que também exigia maioria absoluta (257 votos). Segundo ele, a cassação não alcançaria os votos necessários e, sem quórum qualificado para nenhuma das duas propostas, Glauber Braga terminaria sem qualquer punição. “Preferi garantir ao menos a suspensão”, argumentou o deputado gaúcho.
A emenda contou com apoio maciço do governo Lula e de partidos do Centrão, superando com folga o quórum de 257 votos.
Do plenário, Sóstenes Cavalcante anunciou a medida disciplinar: “Portanto, como líder, a partir de hoje, ele não é mais meu vice-líder, porque um vice-líder deve lealdade ao seu líder. Se ele tivesse combinado comigo antes, não haveria a destituição. Ele tem total liberdade, no seu mandato, de fazer o que quiser, mas não vai desqualificar a liderança enquanto tivermos líder. A nossa orientação continua ‘não’”.
Com a decisão, Glauber Braga ficará afastado das atividades parlamentares por seis meses, mas mantém o mandato e poderá retornar à Câmara em meados de 2026.
O PSol celebrou o resultado como “vitória da proporcionalidade” na aplicação de sanções éticas. Já setores da oposição classificaram a votação como “barganha política” que enfraquece o Conselho de Ética da Casa.


















