Canadá e China firmam parceria estratégica, enquanto UE e Mercosul criam maior zona de livre comércio do mundo: Movimentos contornam pressão dos EUA
Dois acordos comerciais históricos foram fechados nos últimos dias, sinalizando uma reconfiguração significativa no comércio global em meio à política agressiva do presidente americano Donald Trump.
Ontem (16/1), o Canadá assinou com a China uma nova parceria estratégica focada em comércio, energia, agricultura e redução de tarifas, após anos de tensões diplomáticas.
Simultaneamente, a União Europeia (UE) e o Mercosul concluíram negociações de 25 anos e assinaram o acordo que cria a maior área de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22 trilhões.
Esses avanços têm um ponto em comum: ambos os blocos buscam diversificar parcerias e reduzir dependência dos Estados Unidos, em resposta às tarifas elevadas impostas por Trump e às declarações expansionistas do presidente americano.
No caso do Canadá, o acordo com a China — assinado pelo primeiro-ministro Mark Carney e o presidente Xi Jinping em Pequim — inclui redução de barreiras para veículos elétricos chineses, canola canadense e outros produtos agrícolas, além de cooperação em energia e turismo. Ele representa um “descongelamento” após disputas desde 2018 (envolvendo Huawei e detenções recíprocas).
Já o acordo UE-Mercosul, assinado hoje em Assunção (Paraguai), prevê eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral, com benefícios para setores como automóveis, máquinas, vinhos, carnes e etanol.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou o tratado como um marco para prosperidade mútua em um mundo marcado por instabilidade.
Preservando a análise do texto original sobre o contexto geopolítico:
“Esses dois movimentos tem algo em comum: contornam os EUA. Com a forte pressão de Trump sobre o Canadá (tarifas e o desejo de anexar o país) e sobre a Europa (tarifas e o desejo de anexar território europeu), o mundo vai se ajustando e procurando parcerias que não passem pelos EUA.”
A pressão de Trump inclui tarifas de até 35% sobre produtos canadenses (como parte da agenda “America First”) e ameaças recentes de tarifas contra aliados europeus que resistem a planos relacionados à Groenlândia (como anexação ou controle estratégico da ilha ártica, território dinamarquês).
O presidente americano já sugeriu “opções criativas” para aquisição de territórios, gerando respostas defensivas como envio de tropas europeias à Groenlândia para exercícios militares.
Analistas veem nesses acordos uma tendência de multipolaridade: Canadá diversifica além dos EUA (seu principal parceiro), e UE-Mercosul fortalece laços Sul-Norte, reduzindo vulnerabilidade a políticas protecionistas americanas.
O impacto pode ser significativo em cadeias globais de suprimento, energia limpa e agricultura.
Esses desenvolvimentos ocorrem em um cenário de crescente protecionismo americano, forçando aliados tradicionais a buscarem alternativas independentes.


















