Irã anuncia apreensão de grande carregamento de terminais Starlink em meio a blackout de internet e protestos
O Ministério da Inteligência do Irã anunciou, nesta terça-feira (13 de janeiro de 2026), a apreensão de um enorme carregamento de equipamentos eletrônicos, incluindo terminais Starlink, da empresa de Elon Musk.
As autoridades classificaram os dispositivos como ferramentas destinadas a espionagem e sabotagem, provenientes de “grupos terroristas” e de um “país da região”, com distribuição planejada para províncias afetadas por distúrbios.
O regime iraniano reforçou que a posse e o uso de Starlink no país são considerados crimes graves desde junho de 2025, quando uma lei anti-espionagem aprovada após o conflito de 12 dias com Israel e Estados Unidos criminalizou explicitamente o serviço de internet via satélite.
A legislação prevê prisão de seis meses a dois anos por posse ou uso pessoal, confisco dos equipamentos e, em casos interpretados como espionagem ou atos contra o sistema, penas que podem chegar à morte.
“Desde junho de 2025, a posse de Starlink no Irã está sujeita a leis de espionagem.”
A medida ocorre no contexto de um apagão de internet quase total imposto desde 8 de janeiro, que cortou mais de 90% do tráfego online no país, isolando milhões de iranianos em meio aos protestos antigovernamentais iniciados no final de 2025.
Apesar do banimento, estimativas indicam que dezenas de milhares de terminais Starlink foram contrabandeados para o Irã nos últimos anos, servindo como alternativa para contornar a censura e permitir a transmissão de imagens e relatos das manifestações.
Especialistas em direitos digitais, como Amir Rashidi, do Miaan Group, relatam que as forças de segurança iranianas intensificaram operações de caça aos usuários, com buscas casa a casa, interferência eletrônica em massa (jamming) e uso de drones para detectar antenas. Relatos apontam que o governo conseguiu desativar ou degradar significativamente o acesso Starlink em grande parte do território, com perdas de pacotes de dados chegando a 80% em algumas áreas.
O anúncio da apreensão ganhou repercussão nas redes sociais, com postagens virais compartilhando vídeos oficiais do regime exibindo os equipamentos confiscados.
A ação é vista como parte de uma estratégia mais ampla para sufocar a disseminação de informações durante a crise, que já registra centenas de mortes confirmadas por organizações de direitos humanos, como HRANA e Amnistia Internacional.
Enquanto isso, Elon Musk e a SpaceX ativaram acesso gratuito ao Starlink no Irã para apoiar a população, conforme relatos de ativistas e fontes próximas à empresa. No entanto, a combinação de bloqueios técnicos, leis repressivas e ações de inteligência tem limitado o impacto da tecnologia no país.
O episódio destaca o crescente confronto entre regimes autoritários e ferramentas de comunicação via satélite, com o Irã intensificando esforços para manter o controle digital em meio a uma das maiores ondas de protestos recentes.
A comunidade internacional monitora de perto as violações de direitos humanos e o agravamento do isolamento informativo.


















