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Caso Master apresenta semelhanças com o do Banco Cruzeiro do Sul

Diretor de Fiscalização do BC compara caso do Banco Master ao do Cruzeiro do Sul em depoimento à PF

O diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino Santos, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que o caso envolvendo o Banco Master apresenta fortes semelhanças com o do Banco Cruzeiro do Sul, liquidado em 2012 após detecção de fraudes bilionárias. A declaração foi feita durante oitiva realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) em 30 de dezembro de 2025, cujo sigilo foi retirado recentemente pelo ministro Dias Toffoli.

Segundo o diretor, as irregularidades no Banco Master envolvem principalmente a emissão de créditos inexistentes, prática que driblava controles como a Central de Risco de Crédito do BC — artifício semelhante ao utilizado no Cruzeiro do Sul, onde um rombo de R$ 1,3 bilhão levou à intervenção e liquidação da instituição.

“Nós já vivenciamos muitas coisas. O caso aqui em tela, em apreço, é muito similar ao do Cruzeiro do Sul. O Cruzeiro do Sul também gerou créditos inexistentes e nós, aplicamos técnicas de auditoria, identificamos casos concretos de emissão.”

Aquino destacou que o mesmo grupo de auditores responsável pela análise do Cruzeiro do Sul atuou no caso Master, o que explicaria a similaridade nas técnicas de detecção.

“O mesmo time que fez o trabalho do Cruzeiro do Sul fez esse trabalho, então a técnica é muito parecida.”

O diretor questionou a ausência de comprovantes reais das operações, como transferências via Pix ou TED, para validar os créditos alegados pelo banco.

“Tem uma questão central: Dona Maria recebeu o crédito? Tem um Pix ou TED? Nós perguntamos várias vezes e não tem elementos.”

O Banco Master entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025, após o BC identificar gestão fraudulenta e desvios estimados em mais de R$ 11 bilhões em carteiras de crédito.

A instituição, controlada pelo empresário Daniel Vorcaro, enfrentou investigações da PF por supostas fraudes no sistema financeiro, incluindo tentativas frustradas de venda para o BRB (Banco de Brasília).

O caso ganhou nova repercussão com a liberação dos depoimentos, que revelam contradições entre envolvidos e questionamentos sobre a fiscalização do BC.

Recentemente, o órgão abriu investigação interna para apurar possíveis falhas no monitoramento da instituição antes da liquidação.

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