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Censura digital no Irã com bloqueio da rede Starlink

Apagão total no Irã: Regime bloqueia Starlink após corte geral da internet, isolando completamente a população em meio a protestos

O governo iraniano intensificou a censura digital ao bloquear o acesso à rede Starlink (serviço de internet via satélite da SpaceX), após já ter imposto um apagão total da internet convencional desde o dia 8 de janeiro.

Com isso, os 85 milhões de iranianos permanecem completamente isolados do mundo exterior, em um dos bloqueios de comunicações mais severos da história recente do país.

O apagão nacional, que dura mais de 80 horas segundo monitoramento da NetBlocks, reduziu o tráfego de internet para cerca de 1% dos níveis normais.

Especialistas em direitos digitais relatam esforços do regime para interferir em sinais de GPS e jamming (bloqueio) parcial da Starlink, com perdas de pacotes de dados variando de 30% a 80% em diferentes regiões.

A Starlink, que inicialmente serviu como última ponte para vazamento de informações e coordenação de protestos, era a principal forma de burlar as restrições governamentais – agora comprometida, agravando ainda mais a opacidade.

A medida coincide com a escalada da repressão às manifestações antigovernamentais iniciadas em 28 de dezembro de 2025, motivadas inicialmente pela crise econômica (inflação galopante e colapso do rial) e que evoluíram para demandas radicais contra o regime teocrático.

Organizações de direitos humanos, como HRANA (baseada nos EUA) e Iran Human Rights (Noruega), reportam números alarmantes de vítimas: HRANA estima mais de 500 mortes (490 manifestantes e 48 forças de segurança), enquanto outras fontes confirmam pelo menos 200 a 538 óbitos e mais de 2.600 prisões.

Apesar da falta de verificação independente devido ao blackout, relatos de testemunhas descrevem uso de munição real a curta distância, franco-atiradores, drones de vigilância e corpos amontoados em hospitais e necrotérios.

“Foi depois do primeiro apagão que as forças do regime passaram a usar munição real contra manifestantes e o número de mortos saltou de 200 para mais de 2.000.”

Embora cifras exatas como “mais de 2.000” apareçam em algumas reportagens estrangeiras e fontes oposicionistas (sem confirmação plena por ONGs principais), o consenso entre grupos como HRANA e Iran Human Rights aponta para centenas de mortes confirmadas, com possibilidade de subnotificação massiva.

O objetivo do bloqueio, segundo analistas e ativistas, é evidente: esconder o massacre da própria população e impedir que provas de abusos cheguem ao exterior, limitando a coordenação de protestos e a cobertura jornalística.

“O apagão da internet não é um efeito colateral da crise, mas um instrumento central da estratégia do regime para controlar a narrativa, silenciar vítimas e ganhar tempo.” — observam especialistas em cibersegurança e direitos humanos.

O presidente americano Donald Trump tem acompanhado a crise, ameaçando “opções muito fortes” (incluindo ações militares, cibernéticas ou econômicas) e discutindo com Elon Musk formas de restaurar acesso via Starlink.

O regime iraniano acusa interferência externa (EUA e Israel) nos protestos e promete retaliação.

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