Chile realiza segundo turno presidencial polarizado entre Kast e Jara
Os chilenos retornam às urnas neste domingo (14/12) para o segundo turno das eleições presidenciais, em um dos pleitos mais polarizados desde o retorno à democracia.

O candidato de ultradireita José Antonio Kast, frequentemente apelidado de “Bolsonaro chileno”, chega como favorito contra a candidata da coalizão governista de esquerda, Jeannette Jara, militante do Partido Comunista.
No primeiro turno, realizado em 16 de novembro, Jara obteve cerca de 27% dos votos, à frente de Kast, que ficou com aproximadamente 24%. No entanto, as pesquisas para o segundo turno indicam vantagem para Kast, com projeções entre 55% e 60% dos votos, impulsionadas pela consolidação do apoio da direita fragmentada.
A campanha de Kast centrou-se na segurança pública, com propostas como o envio de militares a bairros críticos, a construção de muros e trincheiras na fronteira, e a criação de uma força especial para deportação de migrantes irregulares. Ele prometeu expulsar estrangeiros sem documentação em 90 dias.
Jara, por sua vez, defende o aprofundamento de reformas sociais, o fortalecimento de políticas públicas e o combate ao crime organizado com ênfase em prevenção, inteligência policial e programas sociais. Ela busca atrair eleitores moderados e indecisos, posicionando-se como opção de estabilidade e “segurança com humanidade”.
A reta final da campanha trouxe ao centro do debate a relação de Kast com o regime de Augusto Pinochet (1973-1990).
No último debate televisivo, o candidato defendeu a avaliação de reduções de penas para militares condenados por violações de direitos humanos, especialmente idosos ou doentes.
Aos 59 anos, Kast já admitiu ter apoiado a permanência de Pinochet no plebiscito de 1988, sendo visto como o postulante mais à direita desde a redemocratização. Jara, de 51 anos, encerrou sua campanha em Santiago apelando ao eleitorado moderado, representando reformas sociais responsáveis e segurança sem militarização.
No primeiro turno, Kast e Jara ficaram tecnicamente próximos, com cerca de 25% cada.
O cenário mudou com apoios influentes à Kast, como os de Johannes Kaiser (ala radical) e Evelyn Matthei (direita tradicional). Franco Parisi, terceiro colocado, orientou seus eleitores a votar em branco, criando incerteza.
A polarização foi evidente nos comícios finais, com temas como imigração irregular, segurança pública e modelo econômico dividindo os projetos antagônicos: o progressista de Jara, respaldado pelo governo Boric, e a ampla frente de direita consolidada por Kast.
Independentemente do resultado, o próximo presidente assumirá em março de 2026 diante de um Congresso fragmentado e mais inclinado à direita, o que deve limitar reformas radicais e exigir negociações com o centro político.


















