Eleições presidenciais na América Latina em 2026 e possível impacto de Donald Trump
O calendário eleitoral de 2026 reserva disputas presidenciais em cinco países da América Latina: Costa Rica, Peru, Colômbia, Haiti e Brasil. Esses pleitos, muitos acompanhados de eleições legislativas, ocorrem em meio a forte polarização e instabilidade regional, agravada pela recente intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. Especialistas questionam o grau de influência que o presidente americano Donald Trump exercerá nos resultados, após interferências explícitas em votações de 2025 na Argentina, Honduras e Equador.
A especialista em América Latina da Universidade Johns Hopkins, Cynthia Arnson, alertou para o peso da Casa Branca: “Em nível sem precedentes desde o final da Guerra Fria, o governo Trump e o próprio presidente colocaram seu dedo na balança para influenciar os resultados eleitorais e os processos políticos da América Latina”.
As disputas mais decisivas, segundo analistas, serão na Colômbia e no Brasil, onde governos de esquerda enfrentam desafios para manutenção ou sucessão do poder. “Das eleições a serem celebradas na região em 2026, nenhuma é mais transcendental que as da Colômbia e do Brasil”, afirmou Arnson.
Calendário das Eleições na América Latina 2026
- Costa Rica (1º de fevereiro, com possível segundo turno em 5 de abril): Disputa presidencial e legislativa em um país historicamente estável, mas com controvérsias envolvendo o presidente Rodrigo Chaves. Destaques para Laura Fernández (ligada ao governo), Fabricio Alvarado (conservador) e outros nomes de centro-esquerda.
- Peru (2 de abril, com possível segundo turno em 7 de junho): Cenário pulverizado com pelo menos 34 pré-candidatos, refletindo descrédito na política. Principais nomes: Rafael López Aliaga (conservador, alinhado a ideias de Trump) e Keiko Fujimori (direitista). Insegurança pública domina as pautas.
- Colômbia (legislativas em 8 de março; presidencial em 31 de maio, com possível segundo turno em 21 de junho): Polarização intensa entre esquerda (influenciada por Gustavo Petro) e direita. Pré-candidatos incluem Iván Cepeda (esquerda), Paloma Valencia (direita) e centristas como Sergio Fajardo. Sanções americanas a Petro já sinalizam apoio sutil à oposição.
- Haiti (30 de agosto, com possível segundo turno em 6 de dezembro): Primeiras eleições gerais em quase dez anos, ameaçadas por crise humanitária e domínio de gangues; risco real de adiamento.
- Brasil (4 de outubro, com possível segundo turno em 25 de outubro): Lula busca reeleição contra direita fragmentada, com nomes como Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Romeu Zema. “Segundo os números atuais das pesquisas, essa divisão poderia levar a uma vitória de Lula no primeiro turno, sem necessidade do segundo”, avaliou o analista Maurício Santoro.
Trump recuou de sanções ao Brasil após negociações com Lula, que declarou: “o Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”. Paradoxalmente, interferências anteriores fortaleceram a esquerda brasileira via reação nacionalista.
Na Colômbia e Peru, onde conservadores ganham terreno, apoio aberto de Trump pode impulsionar a direita, mas também gerar rejeição soberanista. A região acompanha atenta, temendo repetição de cortes de ajuda ou sanções.


















