Países membros pedem restabelecimento da democracia na Venezuela, sem assinatura do Brasil
Durante a 67ª Cúpula do Mercosul, realizada no sábado (20/12) em Foz do Iguaçu, líderes de vários países do bloco e associados emitiram um comunicado conjunto expressando preocupação com a crise na Venezuela e cobrando o retorno à ordem democrática e o respeito aos direitos humanos. O documento, porém, não contou com a adesão do petista Lula da Silva nem de representantes brasileiros.

Assinado pelos presidentes da Argentina, Javier Milei; do Paraguai, Santiago Peña; e do Panamá, José Raúl Mulino – além de autoridades de alto nível da Bolívia, Equador e Peru –, o texto destaca a gravidade da situação humanitária, social e migratória venezuelana. Os signatários recordam a suspensão de Caracas do Mercosul em 2016, motivada pela ruptura democrática, e apelam para o fim de detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e violações ao devido processo legal.
O comunicado reforça que multilateralismo, democracia, direitos humanos e liberdades fundamentais são pilares indispensáveis para a integração regional. Os líderes se comprometeram a atuar de forma pacífica pelo restabelecimento da ordem democrática no país vizinho.
A declaração final da cúpula, assinada por todos os chefes de Estado do bloco, não fez qualquer referência à Venezuela, priorizando temas comerciais e negociações externas, como o acordo com a União Europeia.
Durante os debates, posições divergentes emergiram. Lula alertou contra uma possível intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela, classificando-a como uma “catástrofe humanitária” e um “precedente perigoso para o mundo”. Já Javier Milei elogiou a “pressão” exercida pelo governo de Donald Trump sobre Nicolás Maduro.
Analistas apontam que a divisão reflete diferenças ideológicas no bloco, em um momento de tensões crescentes entre Washington e Caracas. A Venezuela permanece suspensa do Mercosul desde 2016, e o episódio reforça o isolamento do governo Maduro na região. As discussões sobre o tema devem continuar influenciando a agenda diplomática sul-americana nos próximos meses.


















