A crise envolvendo o Banco Master ganha contornos de efeito dominó e ameaça gerar rombo bilionário em contas públicas de cinco estados e do Distrito Federal.
A tentativa fracassada de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) revelou fraudes em carteiras de crédito, desencadeando uma crise financeira que pode impactar diretamente a administração de depósitos judiciais em cinco unidades da federação.
Especialistas alertam para um possível prejuízo estimado em até R$ 30 bilhões aos cofres públicos, afetando a operação do Judiciário nesses locais.
O escândalo tem origem nas irregularidades detectadas durante a compra do Banco Master – controlado pelo empresário Daniel Vorcaro – pelo BRB.

A operação envolveu a aquisição de portfólios de crédito considerados “podres” ou fraudulentos, com valores que podem superar R$ 16 bilhões (estimativas iniciais apontam mais de R$ 10 bilhões em títulos problemáticos). Essa exposição comprometeu a solidez do BRB, banco público que administra o sistema “pix judicial” em várias cortes.
O “efeito dominó” surge porque o BRB gerencia cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais nos Tribunais de Justiça do Distrito Federal, Bahia, Maranhão, Alagoas e Paraíba. Esses recursos funcionam como garantias em processos judiciais e são liberados via pagamentos instantâneos conectados ao Banco Central.
Caso o BRB enfrente dificuldades financeiras graves, pode haver risco de interrupção nessas liberações, forçando os governos locais a cobrirem déficits para manter o funcionamento da Justiça – o que geraria um rombo bilionário nos orçamentos estaduais e distrital.
Investigações da Polícia Federal já apuram as fraudes na aquisição, enquanto o BRB contratou auditoria independente (pela Machado Meyer com apoio da Kroll) para analisar as operações.
Em nota oficial, o banco reafirma: “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a estabilidade institucional e o cumprimento rigoroso das obrigações contratuais firmadas com todos os Tribunais de Justiça atendidos. O BRB segue sólido, seguro e operando normalmente.”
Os tribunais afetados monitoram a situação: o TJ da Paraíba instaurou processo administrativo para verificações trimestrais da capacidade econômico-financeira do BRB, e o TJ do Maranhão destacou que os contratos preveem migração de depósitos para outra instituição via procedimentos do Banco Central, caso necessário.
A crise expõe vulnerabilidades no sistema financeiro e no modelo de expansão do “pix judicial”, que agilizou depósitos mas agora revela riscos quando associado a aquisições problemáticas.
Discussões nos bastidores indicam possibilidade de intervenção federal ou pedido de socorro à União, já que os entes afetados isoladamente não teriam condições de absorver o impacto.
O caso Master continua sob escrutínio, com o Banco Central exigindo provisões adicionais (como R$ 2,6 bilhões em algumas reportagens relacionadas) e o INSS cobrando regularidade para repasses de consignados.


















