Grupo de trabalho da autarquia identifica volume elevado de apurações com indícios de fraudes; número subiu de 126 para mais de 200, incluindo entidades conexas e antigo Banco Máxima.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) intensificou o pente-fino no Banco Master e na Reag Investimentos, identificando mais de 200 processos administrativos abertos por suas superintendências para investigar possíveis irregularidades no mercado de capitais. O mapeamento faz parte de um grupo de trabalho criado pela autarquia para entender o modus operandi do conglomerado e mapear operações que possam ter colocado em risco investidores e a integridade do sistema financeiro.
Inicialmente, em levantamento de fevereiro de 2026, a CVM havia identificado 126 processos envolvendo diretamente o Banco Master (47), a Reag Investimentos (77) e a Trustee (2). Após nova análise aprofundada, o número ultrapassou 200, considerando também ações relacionadas ao conglomerado do Master, à Reag e a outras entidades conexas — incluindo processos abertos na época em que o banco se chamava Banco Máxima, ainda sob comando do empresário Daniel Vorcaro.
O presidente interino da CVM, João Accioly, informou em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça-feira (24) que há ao menos 200 processos em análise, dos quais 24 relacionam o Master, o Banco Regional de Brasília (BRB) e a Reag. Accioly admitiu limitações orçamentárias e de pessoal que atrasam conclusões, mas destacou que comunicações sobre indícios de irregularidades começaram em 2017 e se estenderam ao longo dos anos.
O grupo de trabalho, instalado em fevereiro, visa consolidar fatos, informações e processos para aprimorar o diagnóstico institucional e o acompanhamento integrado. Fontes indicam que muitos dos processos envolvem suspeitas de operações fraudulentas, manipulação de balanços, falta de transparência em fundos de investimento (como FIDCs) e alinhamento indevido entre gestores e investidores para inflar patrimônios e emitir CDBs indevidamente.
O caso ganhou destaque após a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em meio a investigações da Polícia Federal sobre fraudes bilionárias contra o sistema financeiro, incluindo descontos indevidos em consignados do INSS. A Reag, gestora responsável por parte das operações, também enfrenta apurações paralelas por falhas na administração de carteiras.
A CVM reforça que o pente-fino busca proteger o mercado de capitais e evitar prejuízos a investidores, em paralelo a inquéritos criminais e ações no STF. Accioly negou omissão da autarquia, mas reconheceu que o esquema envolvia “engana que eu gosto” — com fraudes contábeis ativas para sustentar emissões e ativos fictícios.
O tema segue em debate no Congresso, com cobrança por maior agilidade na fiscalização e punições exemplares.


















