Navio-Hospital Chinês Silk Road Ark no Rio: Impedimento a vistoria de médicos brasileiros e Alerta nas Forças Armadas geram uestionamentos
O navio-hospital chinês Silk Road Ark (Arca da Rota da Seda), da Marinha do Exército Popular de Libertação, atracou no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, no dia 8 de janeiro de 2026, e permanece até esta quinta-feira (15/1), como parte da missão humanitária “Harmony 2025”.
A visita, autorizada pelo governo brasileiro a pedido da Marinha chinesa, tem caráter oficial e diplomático, com foco em intercâmbio de conhecimentos, treinamentos conjuntos e atividades culturais — sem previsão oficial de atendimentos médicos à população brasileira.
No entanto, a presença da embarcação — equipada com 300 leitos de enfermaria, 20 de UTI, múltiplos departamentos clínicos e capacidade para dezenas de cirurgias diárias — gerou controvérsias.
Médicos do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) relataram que foram impedidos de realizar uma vistoria completa na terça-feira (13/1). O conselho oficiou a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) e a Marinha para esclarecimentos sobre possível oferta de serviços médicos, habilitação de profissionais estrangeiros e cumprimento da legislação brasileira (como a Resolução CFM nº 2.216/2018, que exige registro temporário no CRM).
A SES-RJ afirmou que “não está sendo realizado atendimento médico no navio” e que a visita é estritamente diplomática, com recebimento oficial da delegação chinesa no dia da atracação.
A Marinha do Brasil reforçou: “A visita do Navio Hospital ‘Ark Silk Road’ ao porto do Rio de Janeiro foi autorizada pelo Governo brasileiro e tem caráter oficial e diplomático”, esclarecendo que não há previsão de saúde à população.
Paralelamente, a operação levanta alerta no alto comando das Forças Armadas brasileiras.
Fontes militares apontam que o navio, com sistemas avançados de sensores, antenas e radares, possui capacidades que vão além do humanitário, incluindo potencial coleta de dados hidrográficos e inteligência submarina na plataforma continental — área estratégica para o pré-sal.
A falta de transparência total e imunidade jurisdicional de navios de Estado (prevista na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar) limitam inspeções internas, aumentando a preocupação com soberania marítima em um contexto de crescente presença chinesa no Atlântico Sul.
A missão ocorre em meio a tensões geopolíticas regionais, com aumento da presença militar norte-americana no Caribe e visitas simultâneas de navios de pesquisa dos EUA em portos brasileiros.

















