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Esposa de Moraes não tem registro de acesso ao BC apesar de contrato milionário

Viviane Barci de Moraes foi contratada por R$ 3,6 milhões mensais pelo Banco Master; BC e Cade afirmam não ter recebido advogada ou representantes do escritório

O Banco Central do Brasil (BC) informou que não há qualquer registro de entrada da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, nas dependências da autarquia desde janeiro de 2024. A declaração, obtida via Lei de Acesso à Informação, contrasta com o contrato de R$ 3,6 milhões mensais firmado pelo Banco Master com o escritório Barci de Moraes Associados, que previa atuação direta junto ao BC e outros órgãos públicos.

O contrato estabelecia que Viviane coordenaria “cinco núcleos de atuação conjunta e complementar – estratégica, consultiva e contenciosa” perante o Judiciário, o Legislativo e órgãos do Executivo, incluindo explicitamente o Banco Central, o Cade, a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

O BC afirmou que “não foram encontrados registros de acesso da senhora Viviane Barci de Moraes” no período de vigência do contrato, nem de qualquer representante do escritório.

Situação semelhante ocorre no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A assessoria do órgão confirmou que não houve reuniões com Viviane ou integrantes do escritório para discutir a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) ou outros temas relacionados à instituição desde janeiro de 2024.

O acordo com o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, prevê duração de três anos e pode alcançar cerca de R$ 129 milhões até o início de 2027 – ano em que Alexandre de Moraes assume a presidência do STF pelo rodízio. No escritório, Viviane trabalha ao lado de dois filhos do casal.

A ausência de registros ganha relevância porque o Banco Central foi decisivo ao vetar, em setembro, a compra do Master pelo BRB – operação já aprovada sem restrições pelo Cade em junho. A decisão do BC impediu a conclusão do negócio, considerada essencial pelo governo do Distrito Federal.

Paralelamente, o BC conduz procedimentos administrativos para investigar irregularidades no Banco Master. As apurações vão além das fraudes já identificadas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal, que resultaram em prisões, e podem levar à inabilitação de Vorcaro e outros executivos.

Em outubro, o procurador Gabriel Pimenta destacou a gravidade das conclusões do BC ao justificar pedidos de prisão: “Na análise da operação, o Banco Central havia identificado provas de crimes graves contra o sistema financeiro nacional, motivando o envio de representação criminal ao MPF”. Ele acrescentou que “no aprofundamento das análises, o Banco Central constatou que as citadas irregularidades contábeis se destinavam a encobrir fraudes praticadas nas cessões de crédito, com possível prejuízo de R$ 12,2 bilhões ao banco público de Brasília”.

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