Home / Geopolítica / Etapa batizada como recuperação avança na Venezuela

Etapa batizada como recuperação avança na Venezuela

Venezuela avança para ‘Segunda Fase’ do plano americano pós-maduro com libertações de presos políticos e abertura a investimentos estrangeiros

Quase duas semanas após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, a Venezuela dá sinais concretos de entrada na “segunda fase” do plano delineado pelo governo Donald Trump para o país, conforme descrito pelo secretário de Estado Marco Rubio.

Essa etapa, batizada de “recuperação”, combina a liberação de presos políticos com medidas para atrair investimentos externos, especialmente no setor petrolífero, sob forte influência americana.

A presidente em exercício Delcy Rodríguez, que assumiu o poder interino após a intervenção dos EUA, anunciou o envio de um projeto de lei à Assembleia Nacional para reformar a Lei de Hidrocarbonetos.

A proposta institucionaliza mecanismos da Lei Antibloqueio de 2020, permitindo maior flexibilidade na participação estatal em contratos com empresas privadas estrangeiras e contornando sanções remanescentes.

O movimento responde diretamente às demandas de grandes petrolíferas ocidentais, pressionadas por Trump, que buscam garantias contra eventuais perdas semelhantes às da nacionalização promovida por Hugo Chávez.

Rubio detalhou o plano em três etapas: a primeira, de “estabilização”, visava evitar o caos imediato; a “segunda fase” foca na “recuperação”, promovendo anistia, libertação de presos políticos e reintegração econômica ao mercado global; a terceira seria a “transição”, quando o povo venezuelano decidiria o futuro do país, possivelmente via eleições presidenciais.

Delcy Rodríguez reforçou o tom de abertura política ao afirmar:

“Uma Venezuela que se abre para um novo momento político. Que permite a compreensão a partir da divergência e da diversidade político-ideológica, mas que deve ser feita com respeito ao próximo e aos Direitos Humanos.”

Em 14 de janeiro, a presidente interina informou que as libertações de presos políticos continuam, com até 406 pessoas previstas para serem soltas. O Foro Penal Venezuelano registrava 806 presos políticos em 5 de janeiro, o que indica um processo gradual de anistia.

Paralelamente, a líder da oposição María Corina Machado viajou a Washington para encontro com Trump, o primeiro desde a captura de Maduro (que enfrenta julgamento nos EUA por tráfico de drogas). Machado entregou a medalha do Prêmio Nobel da Paz de 2025 ao presidente americano e relatou impressões positivas:

“conversar com calma” com Trump sobre as “expectativas e sonhos do venezuelano” e ficou “muito impressionada” com a “clareza” do líder americano.

“E assegurei a ele que a sociedade venezuelana está unida. Que, hoje, mais de 90% dos venezuelanos querem a mesma coisa: viver em liberdade, com dignidade, com justiça, e queremos nossos filhos de volta para casa — e, para que isso aconteça, é preciso haver democracia.”

“Podem ter certeza de que o presidente Trump está comprometido com a liberdade de todos os presos políticos na Venezuela e com a liberdade de todos os venezuelanos.”

Analistas como o professor Eduardo Viola explicam que uma transição direta para Machado e Edmundo González era inviável devido às estruturas repressivas herdadas, como os “coletivos” paramilitares armados.

“[Uma transição com María Corina e Edmundo González] nunca teria sido possível; isso é ingenuidade da oposição.”

O governo Trump mantém tutela sobre a cadeia petrolífera venezuelana, com foco em acesso justo ao mercado e reconstrução econômica.

A fase atual reflete equilíbrio entre estabilidade institucional e abertura ao capital estrangeiro, em meio a debates sobre soberania e futuro político do país.

Marcado:

Sign Up For Daily Newsletter

Stay updated with our weekly newsletter. Subscribe now to never miss an update!

I have read and agree to the terms & conditions

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *