Os Estados Unidos apreenderam um petroleiro na costa da Venezuela, disse o presidente Donald Trump nesta quarta-feira 10/12, uma medida que elevou os preços do petróleo e provavelmente acirrará ainda mais as tensões entre Washington e Caracas.
“Acabamos de apreender um petroleiro na costa da Venezuela — um petroleiro grande, muito grande, o maior já apreendido, na verdade. E outras coisas estão acontecendo — vocês verão isso mais tarde e conversarão sobre isso com outras pessoas”, comentou durante evento na Casa Branca.
Trump ordenou um enorme reforço militar dos EUA na região, incluindo um porta-aviões, caças e dezenas de milhares de soldados.
A apreensão pode sinalizar novos e intensificados esforços para atingir o petróleo da Venezuela, principal fonte de receita do país.
Três autoridades americanas, falando sob condição de anonimato, disseram que a operação foi liderada pela Guarda Costeira dos EUA. Elas não divulgaram o nome do petroleiro, a bandeira que ele ostentava ou o local exato da interceptação.
O grupo britânico de gestão de riscos marítimos Vanguard afirmou que o petroleiro Skipper teria sido apreendido na costa da Venezuela na madrugada de quarta-feira. Os Estados Unidos impuseram sanções ao navio por suposto envolvimento no comércio de petróleo iraniano, quando ainda se chamava Adisa.
Os contratos futuros de petróleo subiram após a notícia da apreensão. Depois de negociarem em território negativo, os contratos futuros do petróleo Brent subiram 27 centavos, ou 0,4%, para fechar a US$ 62,21 o barril, enquanto os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA ganharam 21 centavos, também 0,4%, para fechar a US$ 58,46 o barril.
O governo venezuelano não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
IMPACTO NO PETRÓLEO?
A Venezuela exportou mais de 900 mil barris de petróleo por dia (bpd) no mês passado, a terceira maior média mensal do ano até o momento, devido ao aumento das importações de nafta pela estatal PDVSA para diluir sua produção de petróleo extrapesado. Mesmo com a crescente pressão sobre o presidente venezuelano Nicolás Maduro, Washington não havia, até então, interferido no fluxo de petróleo do país.
A Venezuela teve que oferecer descontos substanciais em seu petróleo bruto na China, seu principal comprador, devido à crescente concorrência com o petróleo sancionado da Rússia e do Irã.
“Este é apenas mais um obstáculo geopolítico/de sanções que afeta negativamente a disponibilidade de oferta no mercado spot”, disse Rory Johnston, analista da Commodity Context.
“A apreensão deste petroleiro agrava ainda mais as preocupações com o abastecimento imediato, mas também não altera fundamentalmente a situação de imediato, porque esses barris já iriam ficar à deriva por algum tempo”, disse Johnston.
PRESSÃO CRESCENTE SOBRE MADURO
Maduro alegou que o reforço militar dos EUA visa derrubá-lo e obter o controle das vastas reservas de petróleo do país membro da OPEP.
Desde o início de setembro, o governo Trump realizou mais de 20 ataques contra embarcações de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico.


















