Nesta quinta-feira (15), os Estados Unidos aplicaram sanções contra cinco autoridades iranianas consideradas responsáveis pela repressão aos protestos em andamento e afirmaram estar monitorando a movimentação de recursos dos líderes do Irã, que estariam sendo enviados para instituições financeiras internacionais, enquanto o presidente Donald Trump intensifica a pressão sobre Teerã.
Por meio de um comunicado, o Departamento do Tesouro americano anunciou as sanções contra o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, além de membros do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e comandantes das forças policiais, apontando-os como os principais responsáveis pela repressão violenta.
As medidas também atingiram a prisão de Fardis, local onde, segundo o Departamento de Estado, as mulheres detidas têm sido submetidas a “tratamento cruel, desumano e degradante”.
Em um vídeo divulgado nesta quinta-feira, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que a mensagem de Washington aos líderes iranianos era direta: “O Tesouro dos EUA sabe que, como ratos em um navio que está afundando, vocês estão transferindo freneticamente os fundos roubados das famílias iranianas para bancos e instituições financeiras em todo o mundo. Fiquem tranquilos, nós os rastrearemos e a vocês”.
“Mas ainda há tempo, se você decidir se juntar a nós. Como disse o presidente Trump, acabe com a violência e apoie o povo do Irã.”

A porta-voz do governo Donald Trump, Karoline Leavitt, afirmou nesta quinta-feira (15) que 800 execuções foram suspensas no Irã após um ultimato dos Estados Unidos.
Ao ser questionada por um jornalista sobre a posição atual dos EUA em relação aos protestos no país, Leavitt disse que “o presidente e sua equipe estão monitorando a situação de perto e todas as opções estão sendo consideradas”.
“O presidente Trump e sua equipe disseram ao Irã que, se as mortes continuarem, haverá graves consequências”, declarou.
EUA APOIAM O POVO IRANIANO, AFIRMA BESSENT
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou nesta quinta-feira que o governo está trabalhando para solucionar parte dos problemas econômicos que inicialmente desencadearam as manifestações, prometendo combater a corrupção e estabilizar as taxas de câmbio, o que, segundo ele, elevaria o poder de compra das camadas mais pobres da população.
A missão do Irã junto à Organização das Nações Unidas, em Nova York, não respondeu de imediato a solicitações de comentário. As autoridades iranianas, como sempre com sua retórica, atribuíram a agitação a seus tradicionais adversários, Estados Unidos e Israel, acusando-os de incentivar os distúrbios.
Os protestos tiveram início com manifestações contra o aumento de preços e evoluíram para um dos maiores desafios ao regime clerical desde a Revolução Islâmica de 1979. A organização de direitos humanos HRANA, baseada nos EUA, confirmou até o momento a morte de 2.435 manifestantes e 153 indivíduos ligados ao governo.
Trump tem advertido repetidamente sobre uma possível intervenção em apoio aos manifestantes no Irã, onde o establishment religioso vem reprimindo com rigor os protestos nacionais desde 28 de dezembro.
“Os Estados Unidos apoiam firmemente o povo iraniano em seu apelo por liberdade e justiça”, afirmou Bessent. “O Tesouro usará todas as ferramentas para atingir aqueles que estão por trás da opressão tirânica dos direitos humanos do regime.”
Adicionalmente, o Tesouro sancionou 18 indivíduos suspeitos de participação na lavagem de lucros obtidos com a venda de petróleo e produtos petroquímicos iranianos em mercados internacionais, por meio de redes do chamado “sistema bancário paralelo” ligado a entidades financeiras iranianas já punidas.
A iniciativa desta quinta-feira representa a mais recente ação contra Teerã desde que Trump retomou sua política de “pressão máxima” sobre o país, que envolve esforços para eliminar suas exportações de petróleo e bloquear o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã. Teerã nega qualquer intenção de produzir armamento nuclear.


















