Juiz Americano reconhece liquidação do Banco Master e abre caminho para cobrança de dívidas nos EUA
Um juiz federal dos Estados Unidos homologou nesta quinta-feira (8) o processo de liquidação extrajudicial do Banco Master, decretado pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025.
A decisão, proferida pela Corte Distrital Sul de Nova York, permite que o liquidante nomeado pelo BC inicie ações de cobrança de ativos e créditos da instituição financeira brasileira em território americano.
A homologação baseia-se no Chapter 15 da lei de falências dos EUA, que facilita o reconhecimento de procedimentos estrangeiros de insolvência.
O magistrado considerou que a liquidação conduzida pelo Banco Central atende aos requisitos de transparência e proteção aos credores, rejeitando objeções preliminares apresentadas pela defesa do controlador do Master, Daniel Vorcaro.
Com a decisão, o liquidante ganha poderes para identificar e recuperar bens nos EUA, incluindo contas bancárias, investimentos e participações societárias ligadas ao banco ou a seus ex-controladores.
Fontes próximas ao processo estimam que o Master possua ativos significativos em jurisdições americanas, utilizados em operações internacionais antes da intervenção.
A liquidação foi determinada após apurações do BC que detectaram irregularidades graves, como falsificação de contratos de repasse com o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões e indícios de lavagem de dinheiro.
O caso ganhou repercussão com denúncias de tentativas de influenciadores digitais para construir narrativa favorável ao banco e críticas ao TCU por inspeção considerada indevida.
A homologação nos EUA representa vitória institucional para o Banco Central, reforçando sua autonomia em intervenções financeiras.
Especialistas em direito internacional destacam que a medida pode acelerar a recuperação de recursos para credores e depositantes lesados, além de inibir movimentações offshore para ocultação de patrimônio.
Daniel Vorcaro e sua defesa não comentaram a decisão até o momento.
O processo de liquidação segue no Brasil, com o BC mantendo sigilo sobre o balanço final da instituição.


















