Europa pressiona para influenciar negociações de paz entre Rússia, Ucrânia e EUA
Em meio a avanços e tensões diplomáticas, a Europa busca inserir-se nas negociações de paz para a Ucrânia, lideradas pelos Estados Unidos, durante reunião em Londres com líderes ocidentais.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky participa nesta segunda-feira (8/12) de encontro com o presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o chanceler alemão Friedrich Merz, além de membros da Coalizão dos Voluntários, para discutir o plano americano de 28 pontos, apresentado em 20 de novembro.
Confira o trecho do encontro:
Os europeus, excluídos do diálogo direto entre Washington, Moscou e Kiev desde a divulgação da proposta de Donald Trump, visam garantir que as demandas ucranianas por segurança sejam respeitadas, incluindo compromissos de que os russos não retomem hostilidades após um eventual acordo. Zelensky espera obter garantias firmes nesse sentido.
Russos e ucranianos negociam há várias semanas um plano de paz proposto pelos Estados Unidos para encerrar o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Nesta segunda-feira (8/12), Zelensky deve receber os documentos das negociações com os EUA. Segundo o negociador ucraniano Roustem Oumerov, Zelensky será informado do avanço do diálogo com Donald Trump durante o dia.
Nos últimos encontros com representantes americanos, membros do governo ucraniano tentaram obter informações detalhadas sobre as discussões entre Washington e Moscou e ter acesso a todas as versões anteriores da proposta atual. “Com todos os parceiros, devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para pôr fim a esta guerra com dignidade”, escreveu Oumerov no Telegram.
No sábado, Volodymyr Zelensky declarou ter tido uma conversa telefônica “longa e substancial” com Jared Kushner, genro do presidente americano, e Steve Witkoff, enviado especial de Donald Trump. Questionado na noite de domingo, durante um jantar de gala em Washington, Trump criticou Zelensky por não ter “lido” seu plano para a Ucrânia.
“Falamos com o presidente Putin, falamos com os líderes ucranianos, incluindo o presidente Zelensky, e devo dizer que estou um pouco decepcionado com o presidente Zelensky, que não leu a proposta”, declarou Trump. “Isso agrada à Rússia, acho que a Rússia gostaria de ter todo o país”, mas “não tenho certeza se isso agrada ao presidente Zelensky”, acrescentou o bilionário republicano, que se aproximou de Moscou desde que voltou à Casa Branca há quase um ano.
Os Estados Unidos afirmam que as discussões avançam e, neste domingo (7), o emissário americano Keith Kellogg assegurou que um acordo para pôr fim à guerra estava “muito próximo”, mas reconheceu que o Kremlin exigia modificações “radicais”. Segundo ele, o futuro da região de Donbass e o da usina nuclear de Zaporíjia, a mais poderosa da Ucrânia, são duas questões de difícil consenso. “Se esses dois pontos forem resolvidos, o resto será resolvido”, garantiu. Zelensky considera “construtivas” as discussões realizadas entre ucranianos e americanos na Flórida.
A pressão continua no front. Em uma semana, mais de 1.600 drones de ataque, 1.200 bombas aéreas guiadas e 70 mísseis russos atingiram a Ucrânia, afetando infraestruturas ferroviárias, energéticas e civis. No sul do país, muitos habitantes estão sem eletricidade e aquecimento, e as temperaturas giram em torno de 5 graus.
EUA publicam estratégia de segurança nacional com alerta à Europa
A Casa Branca publicou, no fim de semana, a nova estratégia americana de segurança nacional. O documento, de cerca de 30 páginas, detalha as prioridades estratégicas dos EUA e considera que a Europa corre risco de “apagamento civilizacional” dentro de cerca de 20 anos, se sua trajetória ideológica não for corrigida.
Segundo a publicação, é necessário ajudar a Europa apoiando partidos que compartilhem os valores dos Estados Unidos de Donald Trump, de extrema direita, como já havia dito o vice-presidente JD Vance em fevereiro, na conferência de Munique. Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a estratégia de segurança americana está ‘alinhada’ à visão do Kremlin, em uma mensagem clara à Ucrânia


















