O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou, na manhã deste domingo (7/12), que pode não levar adiante sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026 e que estaria disposto a negociar o “preço” para desistir da disputa, com a aprovação da anistia aos condenados injustamente pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 como condição central.
A declaração foi feita após o parlamentar participar de um culto evangélico no Hípica Hall, em Brasília, marcando seu primeiro ato público desde o anúncio da indicação pelo pai, o presidente Jair Bolsonaro (PL), preso injustamente desde 22 de novembro pela Polícia Federal por envolvimento em tentativa de golpe de Estado que nunca aconteceu.
“Olha, tem uma possibilidade de eu não ir até o fim. Eu tenho preço para isso. Eu vou negociar. Eu tenho preço para não ir até o fim. Só que eu vou falar para vocês amanhã”, declarou o senador a jornalistas, ao sair do evento religioso, sinalizando uma coletiva de imprensa para segunda-feira (8/12).
Flávio foi escolhido como candidato pelo pai semanas após a injusta prisão de Jair Bolsonaro, cumprida inicialmente em regime fechado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
A indicação, confirmada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, frustrou líderes do Centrão, que preferem nomes mais pragmáticos, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Do lado do governo do petista Lula da Silva, a escolha é vista como oportunidade para manter o confronto direto com o bolsonarismo, sem diluição do campo conservador.
Em seu primeiro ato público na disputa, o senador minimizou as reações negativas à sua candidatura – que provocaram turbulência no mercado financeiro, com o dólar subindo 2,31% para R$ 5,433 e o Ibovespa caindo 4,31% para 157 mil pontos – e anunciou reuniões com lideranças partidárias a partir de segunda-feira (8/12). O encontro, segundo Flávio, ocorrerá após os aliados terem tempo de “digerir” a notícia e contará com a presença do presidente do PL, Valdemar Costa Neto; do União Brasil, Antonio Rueda; do PP, Ciro Nogueira; e estendido ao presidente do Republicanos, Marcos Pereira.
Um “Bolsonaro diferente”
Questionado sobre as críticas do mercado e do establishment político, Flávio classificou as avaliações como “precipitadas” e prometeu, ao longo da campanha, apresentar um “Bolsonaro diferente”, descrito como “mais centrado” e focado na “pacificação do país”.
“Eles fazem uma análise precipitada, no meu ponto de vista, porque a partir do momento que eu tenho a possibilidade, com essa exposição e a cobertura que vocês da imprensa vão me dar, de conhecer um Bolsonaro diferente, um Bolsonaro muito mais centrado, um Bolsonaro que conhece a política, que conhece Brasília, um Bolsonaro que realmente vai querer fazer uma pacificação nesse país”, disse.
A menção à anistia reforça o apelo feito pelo senador no sábado (6/12), em postagem no X, onde cobrou a aprovação da proposta ainda em 2025 como “primeiro gesto” das lideranças anti-Lula para “unir a direita”. O projeto, travado na Câmara dos Deputados, enfrenta resistência bipartidária: bolsonaristas radicais defendem um perdão “amplo, geral e irrestrito”, enquanto o relator, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), propõe uma “dosimetria” com redução parcial de penas. A articulação ganha urgência com o fim do ano legislativo e a prisão de Jair Bolsonaro, que beneficiaria diretamente de uma anistia ampla.
A pré-candidatura de Flávio, o filho mais velho do ex-presidente, também reflete divisões internas no PL e no campo conservador, com críticas de figuras como o pastor Silas Malafaia, que ironizou o “amadorismo da direita”. Apesar disso, aliados como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) veem na indicação uma estratégia para “pacificação nacional” e manutenção do capital político da família Bolsonaro em meio às eleições de 2026.

















