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Governo americano propõe acordo entre Russia e Ucrânia

EUA propõem “zona econômica livre” em Donetsk em troca de recuo ucraniano, diz Zelensky

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky revelou na quinta-feira (11/12) que a Ucrânia apresentou aos Estados Unidos uma proposta revisada de 20 pontos para encerrar a guerra com a Rússia, mas destacou que a possível cessão de territórios continua como principal entrave nas negociações. 

Segundo ele, Washington sugere a criação de uma “zona econômica livre” nas áreas de Donetsk controladas por Kiev – que Moscou exige em anexação –, condicionada à retirada de tropas ucranianas para formar uma zona tampão.

Em coletiva de imprensa em Kiev, Zelensky identificou dois “pontos-chave de discordância”: os territórios de Donetsk e a Usina Nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa e atualmente ocupada por forças russas. 

“Temos dois pontos-chave de discordância: os territórios de Donetsk e tudo o que está relacionado a eles, e a Usina Nuclear de Zaporíjia. Esses são os dois tópicos que continuamos a discutir”, afirmou o presidente.

De acordo com Zelensky, a proposta americana visa um compromisso em que “eles veem isso como a retirada das tropas ucranianas da região de Donetsk, e o compromisso seria supostamente que as tropas russas não entrariam nessa parte da região de Donetsk. 

Eles não sabem quem governaria esse território”. Ele acrescentou que a Rússia se refere à área como uma “zona desmilitarizada”. 

No entanto, o líder ucraniano rejeitou veementemente uma retirada unilateral: “Por que o outro lado da guerra não recua a mesma distância na direção oposta?”.

Análises baseadas em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) indicam que as forças ucranianas controlam cerca de um quinto da região de Donetsk, enquanto Moscou ocupa o restante e pressiona por ganhos totais no Donbass – que inclui também Luhansk – desde 2014.

Plano americano e concessões territoriais

O esboço mais recente dos EUA, segundo Zelensky, permitiria que a Rússia mantivesse suas posições no sul do país, em Zaporíjia e Kherson, mas exigiria a retirada parcial de tropas russas de áreas não reivindicadas para anexação, como Kharkiv e Sumy, no nordeste, e Dnipropetrovsk, no sudeste. Washington também propõe governança conjunta da Usina de Zaporíjia, que Moscou deseja controlar integralmente.

As declarações do presidente ucraniano refletem pouca mudança na postura central de Washington desde o envio, no mês passado, de um plano de 28 pontos a Kiev e Moscou – amplamente visto como favorável à Rússia. 

A Ucrânia enfrenta crescente pressão americana para fechar um acordo, em meio a avanços russos na linha de frente e ataques intensos contra a infraestrutura energética de Kiev nos últimos meses. Apesar de relatos sobre um prazo de Natal imposto pelo presidente Donald Trump, Zelensky negou um cronograma rígido por parte de Washington.

O pacote geral de paz inclui, além do quadro de 20 pontos, documentos separados sobre garantias de segurança – para prevenir novas agressões russas – e reconstrução das cidades ucranianas devastadas. Zelensky relatou discussões “aprofundadas” com autoridades americanas, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff.

Referendo e forças armadas

Zelensky enfatizou que qualquer concessão territorial deve ser submetida à aprovação popular, por meio de eleições ou referendo, pois ele não possui “direito constitucional ou moral” para ceder terras ucranianas unilateralmente. 

“Acredito que o povo da Ucrânia responderá a essa questão. Seja por meio de eleições ou de um referendo, deve haver uma posição vinda do povo da Ucrânia”, declarou.

Kiev também busca manter um exército robusto pós-conflito. A versão mais recente da proposta, segundo o presidente, estabelece um efetivo de 800 mil militares – superior ao quadro inicial, conforme relatos –, refletindo a insistência ucraniana em uma força capaz de dissuadir futuras invasões.

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