Governo de Donald Trump divulgou nesta sexta-feira (5/12) a nova Estratégia de Segurança Nacional, que sinaliza um foco ampliado na América Latina e um recuo do papel global dos Estados Unidos, com transferência de responsabilidades para aliados.
O documento, publicado pela Casa Branca, promete um “reajuste de nossa presença militar global para enfrentar ameaças urgentes em nosso Hemisfério, afastando-nos de teatros cuja relevância relativa para a segurança nacional americana diminuiu nas últimas décadas ou anos”.
A publicação ocorre em meio a uma mobilização militar no Caribe e a uma escalada de tensões contra o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela.
O combate a cartéis de drogas latino-americanos, mencionado pela Casa Branca desde agosto, ganha formalização no texto, que enfatiza o reforço da influência americana na região e a redução da presença de potências não ocidentais, como a China – maior parceiro comercial do Brasil.
Denominada Estratégia de Segurança Nacional, a publicação orienta as políticas externas do governo Trump para priorizar os interesses americanos sobre os de outros países. É o primeiro documento desse tipo emitido pelo novo mandato de Trump, que também aborda temas como Taiwan, Europa e imigração.
O realinhamento militar na América Latina baseia-se em três pilares principais:
“Uma presença mais adequada da Guarda Costeira e da Marinha para controlar as rotas marítimas, conter a migração ilegal e outras formas indesejadas de migração, reduzir o tráfico de pessoas e de drogas e controlar rotas de trânsito essenciais em situações de crise”;
“Ações direcionadas para proteger a fronteira e derrotar cartéis de drogas, incluindo, quando necessário, o uso de força letal para substituir a estratégia fracassada baseada apenas na aplicação da lei nas últimas décadas”;
“Estabelecer ou ampliar o acesso em locais de importância estratégica”.
O documento afirma que os EUA buscam “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental”, com uma “retomada poderosa” do poder regional. Cunhada pelo presidente James Monroe em 1823, a doutrina estabelece “a América para os americanos”, tratando qualquer tentativa de “recolonização” por potências estrangeiras como ameaça direta aos interesses americanos.
“Negaremos a competidores de fora do Hemisfério a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos de importância estratégica em nosso Hemisfério”, afirma o texto.
A estratégia reconhece que a influência de alguns países na América Latina “será difícil de reverter”, mas aposta no caráter majoritariamente comercial dessas relações, em vez de ideológico. “Iremos alistar amigos já estabelecidos no Hemisfério para controlar a migração, interromper o fluxo de drogas e fortalecer a estabilidade e a segurança em terra e no mar.
Também iremos expandir, cultivando e fortalecendo novos parceiros, ao mesmo tempo em que reforçamos o apelo de nossa própria nação como o parceiro econômico e de segurança preferido do Hemisfério”, prossegue o documento.
Foco em correção de rumos globais e transferência de responsabilidades
A nova estratégia de segurança nacional do segundo governo Trump busca uma “correção de conduta em relação às gestões anteriores” que, segundo o texto, visaram a dominação global, sobrecarregaram os EUA e permitiram que aliados terceirizassem custos de defesa.
O documento acusa a Europa de obstruir avanços no acordo de paz para a Ucrânia e prevê um “grande foco” em Taiwan, devido à dominância da ilha na produção de semicondutores.
A “transferência de responsabilidades” para aliados é um eixo central, aplicada tanto no Leste Asiático quanto no Oriente Médio.
No Leste Asiático, pede-se ao Japão e à Coreia do Sul aumento nos gastos com Defesa, com ênfase em capacidades para dissuadir adversários. “Também iremos endurecer e fortalecer nossa presença militar no Pacífico Ocidental, enquanto, em nossas relações com Taiwan e a Austrália, manteremos uma retórica firme sobre o aumento dos gastos em defesa”.
No Oriente Médio, a abordagem é de “mudar responsabilidades e construir a paz”.
Com bombardeios a instalações nucleares iranianas e um acordo de paz na Faixa de Gaza, os EUA visam reduzir o engajamento na região, apoiando-se em parceiros locais que “estão demonstrando seu compromisso em combater o radicalismo”.
Os Estados Unidos pretendem, sob Trump, erradicar migrações em massa globais e elevar o controle de fronteiras a “o elemento principal da segurança” americana.
O texto critica as políticas migratórias europeias da última década e prevê “apoiar aqueles que se opõem aos valores promovidos pela União Europeia” nesse tema.


















