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Groenlândia virou pivô de crise entre EUA e Europa

Groenlândia torna-se epicentro de crise: Trump impõe tarifas contra Europa e abala relação transatlântica

A ilha ártica da Groenlândia emergiu como um ponto crítico nas relações entre Estados Unidos e Europa, com o presidente Donald Trump escalando tensões ao decretar tarifas comerciais punitivas contra nações que resistem à ideia de vender o território aos EUA.

Essa manobra, anunciada no último sábado (17/1), coloca em xeque a parceria histórica transatlântica, ameaçando impactos na Otan e no comércio global em meio a interesses estratégicos no Ártico. 

Trump declarou que oito países europeus – Alemanha, Dinamarca, Finlândia, França, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e Suécia – enfrentarão uma taxa inicial de 10% sobre todos os produtos exportados para os EUA a partir de 1º de fevereiro, com elevação para 25% em junho, caso não haja um acordo para a aquisição completa da Groenlândia.

Esses governos já lidam com tarifas americanas entre 10% e 15% e enviaram forças militares simbólicas à ilha recentemente, o que parece ter agravado a situação.

O líder republicano justifica a pressão citando a necessidade de proteger a região de influências russas e chinesas, além de explorar minerais de terras raras essenciais para tecnologias modernas. 

A ofensiva ganhou ímpeto após a operação dos EUA que resultou na captura de Nicolás Maduro, ex-líder venezuelano, em 3 de janeiro, encorajando Trump a retomar sua obsessão pela Groenlândia desde o início de seu segundo mandato.

No entanto, analistas contestam as razões apresentadas: reforços militares americanos poderiam ser implementados sem anexação territorial, os principais riscos de segurança no Ártico concentram-se no Alasca, e empresas dos EUA já têm caminhos para concessões mineradoras, apesar dos altos custos de extração. 

Em resposta imediata, os países afetados emitiram um comunicado conjunto no domingo (18/1), alertando para uma “perigosa espiral descendente” nas relações transatlânticas. A União Europeia (UE) convocou uma reunião de emergência em Bruxelas, onde embaixadores debateram contramedidas robustas, incluindo tarifas retaliatórias de até US$ 108 bilhões (ou €93 bilhões) sobre bens americanos.

Parlamentares europeus suspenderam a ratificação de um acordo comercial bilateral assinado no ano passado, enquanto o presidente francês Emmanuel Macron pressiona pelo acionamento do “Instrumento Anti-Coerção”, conhecido como “bazuca comercial”, que poderia limitar importações e o acesso de gigantes tech dos EUA ao mercado europeu. 

Scott Bessent, secretário do Tesouro americano, reforçou a posição de Washington em entrevista à NBC no domingo (18), afirmando que “a disputa pelo Ártico é real” e que a Europa deveria “entregar” a Groenlândia para evitar confrontos.

Ele ainda declarou: “a Europa projeta fraqueza, enquanto os Estados Unidos projetam força”. Apesar do tom agressivo, líderes europeus buscam diálogo em encontros previstos para esta semana no Fórum Econômico Mundial, em Davos, temendo prejuízos econômicos e de segurança. 

A Groenlândia, sob soberania dinamarquesa, agradeceu o suporte europeu, destacando a unidade contra as pressões americanas.

Especialistas alertam que uma escalada poderia fragilizar a Otan, vital para a defesa europeia diante da guerra na Ucrânia, e abalar a ordem global pós-Segunda Guerra Mundial.

Com o Ártico ganhando relevância estratégica devido ao aquecimento global e rotas comerciais emergentes, o impasse testa os limites da relação transatlântica, podendo redefinir alianças internacionais.

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