Executivo da Fictor, envolvido na proposta de compra do Banco Master, lança campanha aberta por vaga na diretoria da CVM
Em meio ao turbulento cenário do mercado financeiro brasileiro, marcado pela liquidação extrajudicial do Banco Master e pela polêmica proposta de aquisição anunciada pelo Grupo Fictor, o diretor de estratégia, planejamento e relações com investidores da Fictor Alimentos, André Vasconcellos, iniciou uma articulação pública para ocupar a vaga remanescente na diretoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Vasconcellos, que assumiu o cargo na Fictor em outubro de 2024, tem realizado intensas movimentações políticas em Brasília e na Faria Lima, incluindo visitas a gabinetes parlamentares e encontros com executivos do mercado.
O executivo se apresenta como um candidato técnico e imparcial, destacando sua formação em administração e contabilidade pelo Ibmec, experiência anterior como funcionário concursado na área de RI da Eletrobras e como diretor financeiro da Rio Securitização.
Apesar do ceticismo de fontes do mercado e da própria CVM — que veem conflito de interesses devido à ligação com o Grupo Fictor e à recente proposta de compra do Master, considerada “relâmpago quanto misteriosa” na véspera da liquidação do banco —, Vasconcellos garante total distanciamento de influências externas.
Ele promete registrar em cartório declaração de impedimento em julgamentos envolvendo o Grupo Fictor ou o Banco Master.
O nome de Vasconcellos circula em Brasília como um dos considerados para a diretoria, em um colegiado que já conta com indicações recentes, como Otto Lobo (atual presidente interino) e Igor Muniz.
O executivo enfatiza sua expertise em relações com investidores e defende uma agenda regulatória focada em reduzir custos de conformidade para emissores e fortalecer a governança no mercado de capitais.
André Vasconcellos enviou nota afirmando que seria o único não advogado na composição atual do colegiado e que sua expertise em relações com investidores “tem potencial para mudar o perfil das decisões na autarquia e contribuir para uma agenda regulatória que se dedique a reduzir o custo de observância para emissores de valores mobiliários e a aprimorar a maturidade de governança do mercado”.
A campanha, incomum por ser aberta — ao contrário do habitual trabalho nos bastidores —, inclui articulações com figuras como o senador Renan Calheiros (presidente da CAE), o deputado Reginaldo Lopes (PT) e o ex-secretário Marcos Pinto. Vasconcellos também atualizou seu currículo no Lattes e LinkedIn, onde acumula quase 51 mil seguidores com publicações diárias sobre o tema.
O contexto da disputa pela vaga na CVM ganha contornos polêmicos diante do escândalo envolvendo o Banco Master, investigado por fraudes, e das críticas a decisões anteriores da autarquia consideradas favoráveis ao banco. Fontes indicam que o vínculo com a Fictor pode inviabilizar a nomeação, mas o nome segue em discussão.


















