Aumento da violência em operações do ICE nos EUA questiona táticas e recrutamento acelerado sob Governo Trump
O endurecimento das políticas anti-imigração do presidente Donald Trump tem gerado um aumento alarmante de incidentes violentos envolvendo agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), expondo críticas às táticas empregadas e falhas no processo de recrutamento acelerado.
O caso mais emblemático é a morte de Renee Nicole Good, uma cidadã americana de 37 anos, baleada por um agente do ICE em Minneapolis durante uma operação de fiscalização migratória.
Vídeos mostram o agente Jonathan Ross gravando a abordagem com o celular antes de disparar, menos de um minuto após o início da interação. O episódio desencadeou protestos intensos na cidade, com o governador Tim Walz alertando sobre os riscos das operações. Preservando as palavras exatas do governador:
“Há semanas estamos alertando que as operações perigosas e sensacionalistas do governo Trump representam uma ameaça à nossa segurança pública [e] que alguém acabaria se machucando. Hoje, essa imprudência custou a vida de alguém.”
Uma semana depois, outro agente do ICE atirou em um migrante venezuelano na mesma cidade, agravando as tensões. Trump reagiu inicialmente com comentário moderado, mas depois ameaçou invocar a Lei da Insurreição de 1807 para enviar tropas e reprimir manifestações, federalizando a Guarda Nacional sem aval dos governadores.
Dados revelam o impacto da intensificação das deportações: em 2025, pelo menos 30 pessoas morreram sob custódia do ICE — o maior número desde 2004, superando as 26 mortes registradas durante todo o governo Biden (2021-2025).
Em 2026, já foram registradas pelo menos quatro mortes nos primeiros dez dias do ano. A população detida saltou para cerca de 69 mil pessoas, com mais de 352 mil prisões e deportações em menos de um ano.
O recrutamento acelerado do Departamento de Segurança Interna (DHS) — mais de 12 mil agentes contratados recentemente — é apontado como fator central das falhas. O treinamento básico foi reduzido de 20 para 8 semanas, eliminando aulas de espanhol e priorizando tecnologia, o que especialistas criticam por comprometer a preparação para desescalada de conflitos. A porta-voz do DHS, Tricia McLaughlin, defendeu:
“Os agentes de aplicação da lei do ICE são treinados para usar a menor quantidade de força necessária para resolver situações perigosas, priorizando a segurança do público e de nossos agentes.”
Especialistas em direitos humanos e policiamento destacam violações rotineiras da política de uso da força (atualizada em 2023), incluindo disparos proibidos contra veículos em movimento, uso excessivo de gás lacrimogêneo, imobilizações violentas e ameaças a observadores. Fred Tsao, da Coalizão de Illinois pelos Direitos de Imigrantes, afirmou à NPR:
“Esses são apenas a ponta do iceberg. Pessoas sendo derrubadas no chão, gente levando spray de pimenta ou gás lacrimogêneo. Vimos pessoas sendo ameaçadas. E vimos pelo menos dois episódios envolvendo disparos de arma de fogo.”
As operações agora incluem ações próximas a escolas (após revogação de proibições em 2025), prisões de estudantes por artigos de opinião e detenções em tribunais de imigração, gerando medo generalizado: quedas na frequência escolar, evasão de consultas médicas e impacto em negócios de comunidades imigrantes.
Enquanto o governo defende a necessidade de deportações para proteger cidadãos americanos, ativistas e líderes democratas acusam o uso de táticas intimidatórias e militarizadas, que minam a confiança comunitária e elevam riscos desnecessários.


















