Lacre de mais 5 celulares de Vorcaro pode atrasar perícia e comprometer conexão de provas no caso Banco Master
A Polícia Federal (PF) apreendeu cinco celulares pertencentes a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro de 2026.
Esses aparelhos podem conter mensagens, vídeos e documentos capazes de implicar autoridades públicas e pessoas ligadas ao Judiciário em irregularidades financeiras.
No entanto, por determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), os equipamentos foram retirados da custódia direta da PF e encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR), sob lacre e sigilo, o que pode atrasar a análise pericial e prejudicar a conexão com provas já coletadas em fases anteriores da investigação.
A operação cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados, resultando na retenção de 39 celulares no total, sendo cinco deles de Vorcaro – o principal alvo do inquérito.
Um aparelho do empresário já havia sido apreendido na primeira fase, em novembro de 2025, e era considerado por investigadores como uma “bomba reveladora” devido ao potencial de revelações sensíveis.
Toffoli determinou que quatro peritos da PF, indicados por ele próprio, realizem a extração de dados dos aparelhos, sempre com acompanhamento da PGR.
A medida visa, segundo o ministro, “preservar a integridade das provas, evitar inutilização e garantir controle judicial”, especialmente porque o caso envolve autoridades com foro privilegiado e indícios de gestão fraudulenta, desvio de recursos e lavagem de dinheiro.
O inquérito tramita no STF após a defesa de Vorcaro invocar foro privilegiado de um deputado federal da Bahia. Vorcaro está convocado para prestar novo depoimento em 27 de janeiro de 2026, junto com outros investigados.
A PF investiga crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais, com prejuízo estimado em R$ 12 bilhões em operações suspeitas envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
A defesa de Vorcaro nega qualquer irregularidade e afirma total colaboração com as autoridades.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em 15 de janeiro de 2026, após a operação.


















