Capitão Ibrahim Traoré, no poder há três anos após golpe de Estado, afirma que o regime democrático “mata” e anuncia manutenção do governo militar por mais cinco anos
O capitão Ibrahim Traoré, líder militar que governa Burkina Faso desde o golpe de Estado de 2022, afirmou publicamente que o país africano deve abandonar de vez a ideia de democracia, de acordo com a matéria do O GLOBO.

Em entrevista transmitida pela televisão estatal, Traoré foi direto ao declarar: “As pessoas precisam esquecer a questão da democracia. A democracia não é para nós”. Ele repetiu a frase “a democracia não é para nós” e ainda completou: “o regime democrático mata”.
O militar, de 38 anos, assumiu o poder há três anos por meio de um golpe seguido de contragolpe. Inicialmente, a junta prometeu uma transição rápida para o regime democrático até julho de 2024, mas a promessa foi descartada. Recentemente, o governo anunciou a extensão do período de transição por mais cinco anos, consolidando o regime autocrático.
Em janeiro deste ano, o regime proibiu todos os partidos políticos, classificando-os como “divisivos”, “perigosos” e “incompatíveis com a proteção revolucionária”. Traoré se apresenta como um líder revolucionário anti-imperialista, defendendo um modelo próprio de soberania e mobilização popular, inspirado no regime de Muammar Gaddafi na Líbia.
O capitão reforçou sua visão ao afirmar: “Temos nossa própria abordagem. Não estamos tentando copiar ninguém”, sem, no entanto, detalhar como funcionaria o novo sistema político.
A declaração marca uma escalada autoritária no país, que enfrenta grave instabilidade de segurança devido a grupos jihadistas, e representa um afastamento definitivo das promessas iniciais de retorno à ordem constitucional.
Fonte: O GLOBO


















