Lula não participará da assinatura do acordo Mercosul-UE no Paraguai; Brasil será representado por Mauro Vieira
O petista Lula da Silva não comparecerá à cerimônia de assinatura do histórico acordo comercial Mercosul-União Europeia, marcada para este sábado (17), em Assunção, no Paraguai.
A decisão torna Lula o único chefe de Estado dos países-membros do bloco sul-americano ausente no evento, que encerra mais de 25 anos de negociações e cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 720 milhões de consumidores e 30% do PIB global.
De acordo com fontes da Presidência da República, o motivo para a ausência é o formato inicial do encontro, planejado em nível ministerial, com convites aos presidentes enviados de última hora pelo governo paraguaio, que ocupa a presidência rotativa do Mercosul.
“não vai” ao encontro, afirmou uma fonte oficial à AFP, explicando que “a assinatura foi inicialmente planejada como um evento em nível ministerial, e que o Paraguai enviou ‘convites’ aos presidentes dos países-membros ‘de última hora’”.
O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, chanceler responsável pela condução diplomática das negociações finais. Já confirmaram presença os presidentes Santiago Peña (Paraguai, anfitrião), Yamandú Orsi (Uruguai) e Javier Milei (Argentina).
O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou o papel central de Lula na conclusão do tratado, que enfrentou resistências internas e externas, incluindo protestos de agricultores europeus preocupados com concorrência desleal.
“Foi ele quem fez todo o trabalho. Sua liderança e a sua perseverança foram fundamentais para um acordo que há 25 anos é trabalhado, mas nunca saía”, declarou Alckmin em entrevista a uma emissora local.
Para compensar a ausência na assinatura oficial, Lula receberá nesta sexta-feira (16/1), no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa (embora haja relatos de possível cancelamento da agenda de Costa devido a problemas de voo).
O encontro no Palácio do Itamaraty no Rio visa reforçar o protagonismo brasileiro e registrar uma “foto da vitória” antes da cerimônia em Assunção.
O acordo Mercosul-UE abre mercados atrativos para o agronegócio brasileiro, facilita investimentos, elimina barreiras ao comércio de serviços e promove regras sustentáveis, mas ainda depende de ratificação pelos parlamentos nacionais e pelo Parlamento Europeu — que votará em 21 de janeiro sobre possíveis contestações judiciais.
Especialistas veem o tratado como um marco para o multilateralismo, geração de empregos e integração econômica, apesar de resistências setoriais na Europa.
O governo brasileiro espera aprovação no Congresso Nacional ainda no primeiro semestre de 2026, com entrada em vigor gradual.


















