A presidente do México, Claudia Sheinbaum, respondeu às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que alertou sobre realizar operações militares terrestres contra os cartéis de drogas no território mexicano.
Em coletiva de imprensa na sexta-feira (9 de janeiro de 2026), Sheinbaum reiterou a soberania nacional e enfatizou a cooperação já existente em segurança, enquanto rejeitou qualquer forma de intervenção armada estrangeira.
A falas de Trump ganhou força após a bem-sucedida operação militar americana na Venezuela (que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro, com o líder americano afirmando que “os cartéis dominam o México” e que já teria pressionado Sheinbaum para permitir o envio de tropas dos EUA para combater o narcotráfico.
Trump justificou a possível ação citando o fluxo de drogas (especialmente fentanil) para os EUA e as overdoses em território americano.
Diante do cenário, Sheinbaum instruiu o chanceler Juan Ramón de la Fuente a estabelecer contato direto com o Departamento de Estado americano – e, se necessário, com o próprio Trump – para “fortalecer a coordenação” em matéria de segurança.
Ela destacou que o secretário de Estado Marco Rubio já classificou a cooperação bilateral como “boa” e reforçou as ações mexicanas recentes: extradição de dezenas de comandantes de cartéis em 2025 e intensificação do combate na fronteira.
A presidente mexicana foi clara ao afirmar: “Não aceitará intervenções militares no México”.
Ela também lembrou que o país trabalha de forma responsável contra o narcotráfico, destacando a responsabilidade compartilhada e o problema do fluxo ilegal de armas de alta potência dos EUA para o México.
Contexto das ameaças e análise de especialistas
As declarações de Trump surgem em meio à sua política de guerra ao narcotráfico, que inclui a reclassificação de cartéis (mexicanos e venezuelanos) como “organizações terroristas estrangeiras” em 2025, abrindo caminho para justificativas legais para intervenções.
Analistas veem as falas como retórica de pressão para barganha, não necessariamente ação iminente, devido aos altos riscos políticos, jurídicos e fronteiriços.
O México mantém posição soberana, diferenciando-se da Venezuela pela integração econômica com os EUA (via USMCA) e pela cooperação pré-existente em segurança e migração.
A escalada retórica de Trump, que já ameaçou tarifas em disputas anteriores (como água do Rio Grande), reforça tensões na relação bilateral, mas também abre espaço para negociações.


















