Juiz de Fora e Ubá decretam calamidade pública com deslizamentos, soterramentos e centenas de desabrigados; 23 mortes confirmadas após chuvas intensas na Zona da Mata
O estado de Minas Gerais enfrenta um novo alerta meteorológico para temporais intensos nos próximos dias, enquanto lida com o saldo trágico de pelo menos 23 mortes causadas pelas fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata entre a noite de segunda-feira (23) e a madrugada desta terça (24).
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) classificou a situação como de “grande perigo”, com aviso válido até as 23h59 de sexta-feira (27). Regiões como Zona da Mata, Vale do Rio Doce e Sul/Sudoeste de Minas podem registrar volumes superiores a 100 mm/dia, com risco elevado de alagamentos, deslizamentos de terra, enchentes e transbordamentos de rios.
As cidades mais afetadas foram Juiz de Fora e Ubá. Em Juiz de Fora, 16 mortes foram confirmadas, com 440 pessoas desabrigadas e mais de 45 desaparecidos (incluindo vítimas soterradas em bairros como Retiro e Parque Burnier). A prefeitura decretou estado de calamidade pública na madrugada desta terça, válido por 180 dias, suspendeu aulas, autorizou trabalho remoto e mobilizou a Defesa Civil (telefone 199). O volume acumulado em fevereiro já é recorde: 460,4 mm até 23/02 (270% acima da média), tornando o mês o mais chuvoso da história do município.
Em Ubá, sete óbitos foram registrados, incluindo uma vítima eletrocutada ao passar por ponto alagado com fio de alta tensão. Um prédio desabou, carros foram arrastados por enxurradas e houve destruição em várias áreas.
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, declarou:
“Estamos buscando salvar a vida de todo mundo.”
“É uma situação extrema que permite medidas extremas.”
Um morador, Nicolas, descreveu a madrugada em post no X:
“Essa é uma noite/madrugada muito difícil pra Juiz de Fora. Chuvas intensas, alagamento, deslizamento de terra, desabamento de edificações, pessoas soterradas e mortas, crianças inclusive.”
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais mobiliza equipes com cães farejadores para buscas por vítimas soterradas e desaparecidas. Em Juiz de Fora, mais de 250 ocorrências foram registradas, incluindo quedas de barreiras e alagamentos em dezenas de pontos.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alerta que o solo saturado pelas chuvas das últimas semanas aumenta o risco de novos deslizamentos mesmo após o fim das precipitações intensas.
A previsão indica que os temporais persistem, com possibilidade de chuvas acima de 60 mm/hora em áreas críticas. Autoridades recomendam evitar áreas de risco, monitorar alertas oficiais e acionar a Defesa Civil em emergências.


















