Lavrov acusa EUA de recuar de proposta aceita por Putin no encontro de Trump no Alasca: Detalhes da “Proposta” permanece desconhecida
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, acusou os Estados Unidos de recuar de uma proposta apresentada durante o encontro entre o presidente Donald Trump e Vladimir Putin no Alasca, em agosto de 2025. Segundo Lavrov, os russos aceitaram a iniciativa americana para resolver o conflito na Ucrânia, mas Washington agora estaria abandonando o acordo.
Em entrevista recente à TV BRICS, Lavrov afirmou que Moscou concordou com a proposta dos EUA no encontro em Anchorage. Ele declarou: “Nos dizem que o problema da Ucrânia precisa ser resolvido. Em Anchorage, nós aceitamos a proposta dos Estados Unidos. Para colocar de forma direta: eles propuseram, e nós concordamos — o problema deveria ser resolvido”. O chanceler russo criticou o que chama de “Bidenism” persistente na administração Trump, citando a extensão de sanções contra empresas russas como Rosneft e Lukoil semanas após o summit, o que, segundo ele, contradiz o espírito do diálogo.
O encontro Trump-Putin no Alasca foi o primeiro cara a cara entre os líderes desde a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022. Trump viajou ao estado americano buscando avanços para um cessar-fogo ou paz duradoura, mas o summit terminou sem anúncio de acordo concreto. Putin elogiou o diálogo como produtivo, e ambos mencionaram “progresso” e “entendimentos”, mas sem detalhes públicos sobre o conteúdo exato.
O problema central destacado por analistas e observadores internacionais é a opacidade da “proposta americana” mencionada por Lavrov. Não há documentos oficiais divulgados sobre os termos específicos aceitos pelos russos — se envolviam cessar-fogo imediato, concessões territoriais (como partes do Donbas), neutralidade ucraniana, limites ao exército de Kyiv ou garantias de segurança.
Fontes ocidentais, incluindo reportagens do Washington Post, The Moscow Times e Kyiv Post, indicam que Moscou explorou a falta de transparência para alegar que os EUA recuaram de compromissos, enquanto o lado americano nega qualquer acordo formal que tenha sido abandonado.
Lavrov reforçou que “eles propuseram, nós aceitamos, e o problema deveria ter sido resolvido”, mas agora vê os EUA “não preparados” para implementar o que foi discutido. A retórica russa visa pressionar Washington por avanços em negociações paralelas (como em Abu Dhabi) e justificar a continuação das hostilidades, enquanto Trump e sua equipe enfatizam que qualquer paz requer “concessões difíceis” de ambos os lados, sem detalhes que confirmem a versão de Moscou.
Especialistas em relações internacionais alertam que a narrativa de Lavrov pode ser uma tática para transferir a culpa pelo impasse ao Ocidente, especialmente em meio a sanções renovadas e discussões sobre garantias de segurança para a Ucrânia pós-conflito. Até o momento, nenhum lado divulgou o texto exato da suposta “proposta” do Alasca, deixando o debate em torno de interpretações conflitantes e sem comprovação independente.
O impasse reforça a complexidade das negociações para encerrar a guerra, que já dura mais de quatro anos, com avanços limitados apesar de contatos diplomáticos frequentes.


















