A procuradoria concluiu que não havia elementos probatórios suficientes para sustentar uma denúncia formal
O Ministério Público Federal (MPF) decidiu arquivar dois inquéritos que investigavam o presidente Jair Bolsonaro (PL) por supostos crimes de genocídio durante a gestão da pandemia de Covid-19 e atos de corrupção. A medida, anunciada nesta quinta-feira (19 de fevereiro de 2026), representa um desfecho significativo para as apurações que tramitavam no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.
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A procuradoria concluiu que não havia elementos probatórios suficientes para sustentar uma denúncia formal. No caso do genocídio, as investigações analisavam alegações de omissão deliberada do governo federal na aquisição de vacinas e no combate à crise sanitária, que resultou em mais de 700 mil mortes no Brasil entre 2020 e 2022. Já o inquérito de corrupção envolvia suspeitas de irregularidades em contratos emergenciais para compra de insumos médicos, incluindo máscaras e testes de Covid-19.
O arquivamento foi solicitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e acolhido pelo relator, que determinou o trancamento dos procedimentos. Em nota oficial, o MPF ressaltou que a decisão não implica absolvição, mas sim a ausência de indícios concretos para prosseguir: “Não há provas que sustentem a continuidade das investigações nestes termos”, conforme trecho do parecer da PGR.
Bolsonaro, que cumpre prisão preventiva no Complexo Penitenciário da Papuda desde o final de 2025 por condenações relacionadas a tramas golpistas, reagiu à notícia via redes sociais, classificando o arquivamento como prova de inocência e perseguição política. “Mais uma vitória contra o sistema que tenta me calar. O povo sabe a verdade!”, postou o ex-presidente em sua conta no X (antigo Twitter).
O episódio reacende debates sobre a condução de investigações sensíveis no pós-pandemia, com críticos apontando lentidão do MPF e defensores destacando rigor técnico. Aliados de Bolsonaro celebram o desfecho como alívio em um momento de múltiplos processos judiciais, enquanto opositores questionam se novas provas poderiam reabrir os casos.
Com o arquivamento, o foco se volta para outros inquéritos pendentes contra o ex-mandatário, incluindo aqueles relacionados a fake news e incitação a atos antidemocráticos. A decisão do MPF pode influenciar o clima político às vésperas das eleições de 2026, reforçando narrativas de polarização entre Judiciário e bolsonarismo.


















