CGU confirma fraudes e irregularidades na Associação Moriá
A Controladoria-Geral da União (CGU) confirmou indícios de fraudes e graves irregularidades na Associação Moriá, uma organização da sociedade civil (OSC) que recebeu R$ 74 milhões em emendas parlamentares entre 2023 e 2024. Desse total, R$ 53 milhões vieram de indicações de deputados e senadores do Distrito Federal. O relatório técnico da CGU, entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que a entidade “não detém capacidade técnica e operacional necessárias para a execução do volume de recursos federais que recebeu”.
A auditoria revelou que a associação, gerida por figuras sem qualificação aparente (incluindo um ex-cabo do Exército, um motorista e uma esteticista como diretores), não possuía estrutura material própria nem quadro de pessoal compatível para gerir os repasses. Os recursos foram direcionados principalmente a um projeto gamer para ensinar crianças e adolescentes a jogar títulos como Free Fire, Valorant, League of Legends, Teamfight Tactics e eFootball — iniciativa questionada pela falta de comprovação de execução adequada e por indícios de sobrepreços e inexecução parcial.
Principais irregularidades destacadas pela CGU:
- Orçamentos genéricos que favoreciam superfaturamento.
- Superfaturamento de R$ 1,73 milhão em locações de tecnologia da informação no Ministério dos Esportes.
- Inexecução total da fase pedagógica do projeto Enem na Secretaria-Geral da Presidência.
- Rompimento da rastreabilidade financeira no Ministério da Cultura.

Os parlamentares do DF mais envolvidos nos repasses incluem:
- Deputado federal Fred Linhares (Republicanos): R$ 27,6 milhões.
- Senador Izalci Lucas (PL): R$ 15,5 milhões.
- Deputada federal Bia Kicis (PL): R$ 1,5 milhão.
- Deputado federal Julio Cesar (Republicanos): R$ 800 mil.
- Deputada distrital Paula Belmonte (Cidadania): R$ 500 mil.
O caso ganhou força com a Operação Korban, deflagrada em julho de 2025 pela PF e CGU, que cumpriu 16 mandados de busca e apreensão em quatro estados (Acre, Paraná, Goiás e DF), expedidos pelo STF.
O ministro Flávio Dino, relator da ADPF sobre transparência em emendas parlamentares, determinou o encaminhamento do relatório à Polícia Federal: “Encaminhe-se o 10º Relatório Técnico da CGU à Diretoria-Geral da Polícia Federal, a fim de que sejam tomadas as providências devidas no âmbito de sua competência, fazendo-se a juntada em Inquéritos já existentes ou instaurando novos”.
O episódio expõe falhas no mecanismo de emendas de relator e parlamentares individuais, com críticas à falta de fiscalização prévia e à distribuição de recursos públicos para entidades sem capacidade comprovada.


















