Eleições presidenciais podem marcar um ponto de virada histórico na política do país
Pela primeira vez em 40 anos, um segundo turno parece inevitável nas eleições presidenciais de Portugal, devido à fragmentação política e ao forte avanço da direita conservadora, especialmente o partido Chega, que ameaça romper com décadas de domínio dos partidos tradicionais (PS e PSD).
Com 11 candidatos na disputa, as sondagens mais recentes mostram uma corrida apertada na primeira volta, com três nomes em destaque: o líder do Chega André Ventura (direita populista, com cerca de 23-24% das intenções de voto), o socialista António José Seguro (PS, próximo de 23-25%, defendendo o “voto útil” para barrar a direita) e o liberal João Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal, em torno de 19-22%).
Outros concorrentes como Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD, 14%), o almirante Henrique Gouveia e Melo (independente, 14%) e figuras menores dividem o restante.
O Chega, fundado em 2019 por André Ventura, saltou de 1 para 60 deputados nas eleições legislativas de maio de 2025, tornando-se a segunda maior força política (atrás apenas do PSD).
O partido foca em temas como identidade nacional, controle rígido de imigração, combate à corrupção, soberania e segurança pública, com o lema “Salvar Portugal”. Ventura tem enfatizado políticas duras contra o crime:
“Se você cometer um crime aqui, vai para a prisão por vários anos ou até décadas. Assim que cumprir a pena, não ficará nem mais um segundo neste país.”
O presidente Marcelo Rebelo de Sousa não pode concorrer a um terceiro mandato consecutivo, abrindo espaço para uma renovação.
O cargo é majoritariamente simbólico e de arbitragem, mas o chefe de Estado pode dissolver o Parlamento, convocar eleições antecipadas e vetar leis em momentos de crise.
Analistas veem o pleito como um referendo sobre os temas levantados pela direita populista, com o avanço do Chega refletindo o descontentamento com os partidos do centro-esquerda e centro-direita tradicionais.
Caso Ventura avance ao segundo turno (previsto para 8 de fevereiro), especialistas apontam que rivais de centro ou esquerda teriam vantagem clara, mas sua presença já consolida o crescimento da direita radical em Portugal.
As urnas abrem às 8h (horário local) e fecham às 19h, com expectativa de alta abstenção e resultados parciais a partir das 20h.
O país acompanha com atenção se o domingo consolidará o avanço da direita ou se o centro resistirá à onda populista.


















