Dinamarca reforça presença militar na Groenlândia com novo contingente de tropas em meio a tensões com os EUA
As Forças Armadas da Dinamarca enviaram um novo grupo de soldados para a Groenlândia na noite de segunda-feira (19), com desembarque no aeroporto de Nuuk, capital da ilha ártica.
O governo dinamarquês confirmou um “aumento substancial” no contingente militar local e se comprometeu a manter presença reforçada na região ao longo das próximas semanas e durante todo 2026.
A medida inclui exercícios militares com aeronaves, navios e tropas terrestres, em coordenação com aliados da OTAN. O chefe do Exército dinamarquês integrou o contingente, sinalizando o caráter estratégico da operação.
Países europeus como França, Alemanha, Noruega, Suécia, Holanda, Reino Unido e Finlândia também enviaram pequenos grupos de militares para missões de reconhecimento e exercícios conjuntos, em demonstração de solidariedade à soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia.
O reforço ocorre em resposta direta às pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reitera o interesse em anexar ou controlar a ilha, alegando razões de segurança nacional e recursos minerais. Trump não descartou o uso de força militar e anunciou tarifas de 10% (com aumento progressivo) sobre produtos da Dinamarca e outros sete países europeus que se opõem ao plano. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que “o pior ainda está por vir” na disputa.
Autoridades dinamarquesas e groenlandesas enfatizam que a ampliação da presença visa proteger o território e a soberania, em meio a tensões geopolíticas no Ártico. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou que a ilha “tem que estar preparada para todos os cenários”, sem ceder a intimidações.
Críticos e observadores internacionais destacam o paradoxo: a Dinamarca, aliada histórica dos EUA na OTAN, nunca adotou medidas semelhantes de reforço militar contra avanços da Rússia ou da China na região ártica, apesar de preocupações recorrentes com atividades russas e interesses chineses em mineração e rotas marítimas. O envio atual é visto como reação inédita a uma ameaça percebida de um aliado tradicional.
Os Estados Unidos mantêm base militar permanente em Pituffik (antiga Thule), na Groenlândia, mas o conflito diplomático escalou desde o início do segundo mandato de Trump. A crise expõe fissuras na OTAN e no relacionamento transatlântico, com debates sobre soberania, recursos árticos e segurança global.

















