O encontro, realizado no Donald J. Trump, reúne representantes de dezenas de países para discutir estratégias e compromissos iniciais.
Em andamento nesta quinta-feira (19 de fevereiro de 2026), em Washington, D.C., a primeira reunião formal do Board of Peace (Conselho da Paz), iniciativa pessoal do presidente Donald Trump para criar uma organização supranacional focada na promoção da paz global. O encontro, realizado no Donald J. Trump United States Institute of Peace (antigo U.S. Institute of Peace, renomeado em sua homenagem), reúne representantes de dezenas de países para discutir estratégias e compromissos iniciais.
A missão prioritária anunciada pelo Board of Peace é a reconstrução da Faixa de Gaza, devastada pelo conflito prolongado entre Israel e Hamas. Trump destacou que o órgão supervisionará a implementação de seu plano de cessar-fogo de 20 pontos, incluindo desarmamento de grupos armados, desmilitarização da faixa, deradicalização da sociedade palestina e revitalização econômica.
No evento, o presidente anunciou que os Estados Unidos contribuirão com US$ 10 bilhões ao Board, enquanto membros fundadores (como Cazaquistão, Azerbaijão, Emirados Árabes Unidos, Marrocos, Bahrein, Qatar, Arábia Saudita, Uzbequistão e Kuwait) já comprometeram mais de US$ 7 bilhões para ajuda humanitária e reconstrução em Gaza.
Apesar do entusiasmo de Trump, que descreve o Board como uma instituição com “potencial ilimitado” e que “vai olhar por cima da ONU” para garantir seu funcionamento adequado, a adesão internacional tem sido limitada e gerado ceticismo.
Países ocidentais tradicionais, incluindo Reino Unido, França e Noruega, optaram por não participar, com líderes como Keir Starmer expressando preocupação com a inclusão de regimes autoritários. Do total de 27 membros fundadores iniciais, apenas 8 são democracias consolidadas, enquanto os 19 restantes são classificados como autocracias ou ditaduras.
Entre as adesões mais polêmicas, destaca-se a Bielorrússia, liderada pelo presidente Alexander Lukashenko, que formalizou sua entrada logo no início do processo.
A Rússia, de Vladimir Putin, também manifestou interesse em aderir, embora Putin e Lukashenko tenham optado por não comparecer pessoalmente à reunião inaugural, possivelmente por questões logísticas ou alinhamento estratégico com Moscou.
A composição do Board levanta debates sobre legitimidade e imparcialidade: críticos veem o grupo como uma tentativa de Trump de contornar ou supervisionar a ONU, com estrutura centralizada (Trump como Chairman vitalício, poder de veto e decisão unilateral sobre membros e fundos).
O evento reforça a ambição de expandir o escopo do Board para resolução de conflitos globais, mas também expõe divisões geopolíticas, com aliados tradicionais dos EUA mantendo distância.
O Board of Peace foi formalizado em janeiro de 2026, após endosso parcial via Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU, e surge como alternativa à governança multilateral tradicional em meio ao cessar-fogo frágil em Gaza e à necessidade urgente de reconstrução (estimada em dezenas de bilhões de dólares).


















