A prisão está diretamente ligada ao ressurgimento do caso Jeffrey Epstein
O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do rei Charles III, foi preso nesta quinta-feira (19 de fevereiro de 2026) pela polícia britânica sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público. A detenção ocorreu em sua residência em Sandringham, Norfolk, no dia em que completava 66 anos, conforme confirmado pela Thames Valley Police e reportado por veículos como BBC, CNN Brasil, Folha de S.Paulo e Associated Press.
A prisão está diretamente ligada ao ressurgimento do caso Jeffrey Epstein, após a divulgação recente de milhões de páginas de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Esses arquivos revelaram e-mails e evidências que sugerem que Andrew, durante seu período como enviado comercial especial do Reino Unido (entre 2010 e 2011), teria compartilhado informações confidenciais e relatórios oficiais de viagens com o financista e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein – incluindo detalhes de missões em Singapura, Vietnã, Shenzhen, Hong Kong e oportunidades de investimento no Afeganistão supervisionadas pelo governo britânico.

A investigação ganhou força após denúncia formal apresentada por Graham Smith, diretor do grupo antimonarquista Republic, que alegou violação de segredos oficiais e má conduta pública. A Thames Valley Police confirmou que está avaliando essas alegações desde o início de fevereiro e, como parte do inquérito, efetuou a prisão e realizou buscas em duas residências – uma em Berkshire (antiga residência em Windsor) e outra em Norfolk.

Andrew já havia perdido todos os seus títulos reais em outubro de 2025, por decisão do rei Charles III, devido aos seus laços persistentes com Epstein. Ele nega qualquer irregularidade e, em entrevistas passadas, expressou arrependimento pela amizade com o magnata, que se suicidou em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.
O Palácio de Buckingham ainda não se pronunciou oficialmente sobre a prisão, mas anteriormente afirmou que o rei Charles está disposto a apoiar as autoridades policiais em investigações relacionadas. O caso reacende o debate sobre transparência na monarquia britânica, violação de segredos de Estado, conexões com criminosos sexuais e o impacto das revelações dos arquivos Epstein em figuras de alto escalão.
A detenção representa um marco grave para a família real, já abalada por escândalos anteriores envolvendo Andrew, incluindo acusações de abuso sexual (negadas por ele) feitas por Virginia Giuffre, e fotos polêmicas divulgadas nos arquivos que o mostram em posições comprometedoras com mulheres não identificadas.


















