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Reconhecimento facial localiza empresário foragido a 23 anos

Sistema de reconhecimento facial da Bahia localiza e prende empresário condenado por homicídio após 23 anos foragido

Um sistema de reconhecimento facial implantado pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) foi decisivo para a prisão do empresário paulista Sérgio Nahas, de 61 anos, no último sábado (17), na Praia do Forte, litoral norte do estado.

Nahas estava foragido desde junho de 2025, quando a Justiça expediu mandado de prisão após condenação pelo assassinato da esposa, Fernanda Orfali, ocorrido em 2002 em São Paulo.

A tecnologia, que monitora rostos em tempo real por meio de câmeras instaladas em locais estratégicos, comparou os traços faciais do suspeito com o banco de dados de procurados e emitiu alerta imediato para abordagem policial.

Nahas foi detido em um condomínio de luxo na região, passou por audiência de custódia e foi encaminhado ao sistema prisional baiano para cumprir pena de oito anos e dois meses em regime fechado.

O sistema de reconhecimento facial da Bahia está presente em mais de 80 cidades do estado, sendo utilizado especialmente em grandes eventos e pontos de grande circulação. Ele se integra ao Banco Nacional de Mandados de Prisão, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que reúne informações sobre foragidos, condenados e mandados em aberto.

Além de análise facial, a ferramenta emprega inteligência artificial e OCR para identificar placas de veículos furtados ou roubados.

De acordo com a SSP-BA, em 2025 a tecnologia contribuiu para a localização de mais de 2 mil foragidos. Em 2026, até o dia 20 de janeiro, já foram registradas 80 prisões por meio do mesmo mecanismo.

A notícia reacende o debate sobre o uso da tecnologia de reconhecimento facial no Brasil.

Enquanto autoridades destacam a eficácia na captura de criminosos procurados, organizações de direitos humanos e especialistas criticam a falta de transparência sobre a precisão do sistema, o número de abordagens indevidas e possíveis vieses étnicos – já que algoritmos treinados majoritariamente com imagens de pessoas de pele clara tendem a gerar mais falsos positivos em indivíduos de pele escura.

“há pouca informação sobre nível de precisão e não se sabe ao certo quantas pessoas são abordadas erroneamente”, apontam críticas de entidades ligadas à proteção de dados e direitos civis.

O caso de Sérgio Nahas demonstra o alcance da ferramenta em cenários reais, mas também reforça a necessidade de maior governança, relatórios de impacto e mecanismos de accountability para evitar abusos e violações de privacidade.

A prisão ocorreu quase 24 anos após o crime em Higienópolis (SP), e o empresário tinha o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol desde 2025.

A defesa alega que ele residia na Bahia há anos e recorrerá das medidas cabíveis.

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