Secretário de Estado dos EUA revela que Trump planeja comprar a Groenlândia em reunião com parlamentares
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, informou a líderes do Congresso dos Estados Unidos que o presidente Donald Trump deseja adquirir a Groenlândia por meio de compra, e não por invasão militar.
A declaração ocorreu durante uma reunião fechada na segunda-feira (5), focada inicialmente na operação na Venezuela, mas que derivou para preocupações com as intenções do governo em relação ao território ártico.
Rubio esclareceu que Trump solicitou aos assessores uma versão atualizada de um plano para a aquisição da ilha, rica em minerais raros e estratégica para a defesa no Ártico.
O interesse do presidente remonta ao seu primeiro mandato, motivado pela posição geopolítica da Groenlândia e pela presença crescente de Rússia e China na região.
Em resposta, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou que “deixou claro que a aquisição da Groenlândia é uma prioridade de segurança nacional dos EUA”, sendo “vital para dissuadir” adversários no Ártico.
Ela acrescentou que Trump e sua equipe “discutem uma série de opções para perseguir esse importante objetivo de política externa e, claro, o uso das Forças Armadas dos EUA é sempre uma opção à disposição”.
A declaração gerou forte reação entre aliados da Otan.
Na terça-feira (6), líderes de seis países – Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha e Polônia – uniram-se à primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, em um comunicado conjunto defendendo a soberania territorial:
“A segurança no Ártico deve ser alcançada de forma coletiva, em conjunto com aliados da Otan, incluindo os EUA, respeitando os princípios da Carta da ONU, entre eles a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras. Esses são princípios universais, e não deixaremos de defendê-los.
A Groenlândia pertence ao seu povo. Cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre questões que digam respeito à Dinamarca e à Groenlândia”.
Senadores bipartidários também criticaram possíveis pressões sobre aliados. Jeanne Shaheen (democrata) e Thom Tillis (republicano) emitiram nota conjunta afirmando que, quando autoridades deixam claro que a Groenlândia não está à venda, “os EUA devem honrar suas obrigações decorrentes de tratados e respeitar a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca”.
Eles alertaram: “Qualquer sugestão de que nosso país submeteria um aliado da Otan a coerção ou pressão externa mina os próprios princípios de autodeterminação que a aliança existe para defender”.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, rebateu insinuações de anexação: “Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos às discussões. Mas isso deve ser feito pelos canais adequados e com respeito ao direito internacional”.
Os EUA já operam uma base militar na ilha desde a Guerra Fria, mas Trump busca controle total, alegando falhas dinamarquesas na proteção do território.
O tema ganha tensão após a captura de Nicolás Maduro na Venezuela, vista como sinal de uma política externa mais assertiva.
Analistas veem riscos para a coesão da Otan, com possíveis impactos em relações transatlânticas.
A Dinamarca e a Groenlândia pediram reunião urgente com Rubio para esclarecimentos.


















