Servidores acusados de vazar dados da Receita serão ouvidos pela PF; investigação apura possível venda de informações sigilosas de ministros do STF
Os quatro servidores públicos suspeitos de acessos irregulares e vazamento de dados fiscais sigilosos da Receita Federal — incluindo informações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e familiares — prestarão depoimento à Polícia Federal (PF) nos próximos dias. A medida é o próximo passo da apuração autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do Inquérito 4.781 (das fake news), após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A operação deflagrada em 17/02/2026 cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Os alvos são:
- Luiz Antônio Martins Nunes: técnico do Serpro, lotado na Delegacia da Receita no Rio de Janeiro (RJ), servidor desde 1981. Suspeita principal de acesso indevido ao sigilo fiscal da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
- Luciano Pery Santos Nascimento: técnico do Seguro Social (INSS), lotado na Delegacia da Receita em Salvador (BA), servidor desde 1983.
- Ruth Machado dos Santos: técnica do Seguro Social, lotada em Santos (SP), servidora desde 1994.
- Ricardo Mansano de Moraes: auditor-fiscal da Receita Federal, lotado na Delegacia em São José do Rio Preto (SP), servidor desde 1995.
Moraes decretou rigorosas medidas cautelares contra os investigados: proibição de se ausentar da comarca, recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana com tornozeleira eletrônica (instalação em 24 horas pela PF), afastamento imediato da função pública, proibição de ingresso nas dependências da Receita e Serpro, bloqueio de acesso a sistemas e bases de dados, proibição de saída do país, cancelamento e entrega de todos os passaportes (inclusive estrangeiros) em 24 horas, impedimento migratório e proibição de obtenção de novo passaporte.
“Caberá à PF investigar se a quebra dos dados fiscais da mulher de Moraes e do filho de um dos ministros foi encomendada para ser vendida a terceiros.”
A Receita Federal reforçou em nota que não tolera desvios e que seus sistemas são rastreáveis:
“não tolera desvios, especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário.”
“são totalmente rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível, inclusive na esfera criminal.”
A auditoria interna, solicitada por Moraes em janeiro de 2026, detectou “diversos e múltiplos acessos ilícitos” sem justificativa funcional nos últimos três anos. O rastreamento abrangeu dados dos dez ministros atuais do STF, do Procurador-Geral da República Paulo Gonet e de cerca de 100 familiares (cônjuges, filhos, irmãos e ascendentes). Relatórios parciais já foram enviados ao relator, confirmando quebras indevidas.
A investigação busca esclarecer se os vazamentos tiveram motivação financeira (venda a terceiros), política ou midiática, e se houve articulação para uso seletivo das informações. A Receita entregará ao STF um relatório completo com todas as consultas ou tentativas de acesso relacionadas aos alvos.
Os depoimentos à PF serão cruciais para aprofundar as provas e definir eventuais indiciamentos. A apuração tramita sob sigilo no STF.


















