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Técnicos acusados da morte de pacientes na UTI do Hospital Anchieta

Choque no DF: Três técnicos de enfermagem presos por suspeita de assassinato em série na UTI do Hospital Anchieta

Um caso chocante abala o sistema de saúde do Distrito Federal: três ex-técnicos de enfermagem foram detidos pela Polícia Civil do DF (PCDF) acusados de provocar a morte de pelo menos três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga.

As mortes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025, com dois óbitos registrados em 17 de novembro e um em 1º de dezembro. A notícia veio a público nesta segunda-feira (19/01/2026), após a deflagração da Operação Anúbis.

Os suspeitos – um homem de 24 anos (principal executor) e duas mulheres de 22 e 28 anos – atuavam de forma coordenada na rotina hospitalar. Segundo a investigação da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), o grupo aproveitava falhas internas e acessos indevidos ao sistema eletrônico do hospital (aberto em nome de um médico) para prescrever medicamentos incompatíveis com o quadro clínico das vítimas. Eles retiravam os remédios na farmácia da unidade e os aplicavam diretamente na veia, sem autorização médica, causando parada cardíaca imediata.

Em um dos episódios mais graves, o técnico de 24 anos injetou desinfetante (produto químico de limpeza sem indicação intravenosa) ao menos 10 vezes em uma das vítimas, usando seringa, o que provocou danos graves e sucessivas paradas cardiorrespiratórias. As substâncias escolhidas eram difíceis de detectar em exames iniciais, dificultando a identificação inicial das causas das mortes.

As vítimas eram: uma professora aposentada de 67 anos (ou 75 anos, conforme algumas fontes), um servidor público de 63 anos e um homem de 33 anos (identificado em reportagens como carteiro ou servidor). Todos estavam internados na UTI do Hospital Anchieta.

Investigação iniciada pelo próprio Hospital

O caso veio à tona graças à ação proativa da direção do Hospital Anchieta.

Ao notar circunstâncias atípicas nos óbitos, a instituição instaurou um comitê interno de análise e, em menos de 20 dias, reuniu evidências que apontavam para os ex-funcionários. O hospital encaminhou as provas à polícia, solicitou inquérito e medidas cautelares, incluindo prisões.

Em nota oficial, o Hospital Anchieta afirmou:

“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição. Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.”

A nota prossegue:

“Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.”

O hospital reforçou:

“O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.”

Fases da operação e provas

A Operação Anúbis teve duas fases principais: a primeira, em 11 de janeiro de 2026, com buscas e prisões temporárias em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (Entorno do DF); a segunda, em 15 de janeiro, com mais uma prisão e apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

Câmeras de segurança da UTI registraram os suspeitos próximos aos leitos das vítimas nos horários dos procedimentos irregulares. Inicialmente negando, os três confessaram após confronto com as provas.

A PCDF investiga se houve mais vítimas, participação de outros envolvidos e a motivação exata dos crimes – ainda não esclarecida. O inquérito tramita em segredo de justiça.

Esse escândalo levanta graves questionamentos sobre segurança em unidades de saúde, protocolos internos e fiscalização profissional.

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