Toffoli reduz prazo de oitivas para dois dias no caso Banco Master e aprofunda atritos com a Polícia Federal
O ministro Dias Toffoli, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga supostas fraudes no Banco Master, determinou na sexta-feira (16) a redução drástica do prazo para a Polícia Federal (PF) realizar as oitivas dos investigados.
O que antes estava programado para ocorrer ao longo de cinco ou seis dias (entre 23 e 28 de janeiro) agora deve ser concentrado em apenas dois dias consecutivos, com a PF obrigada a apresentar um novo cronograma.
A decisão foi criticada e classificada como inviável e prejudicial ao andamento das investigações.
O prazo apertado pode comprometer a qualidade dos depoimentos, gerar vulnerabilidades processuais e abrir espaço para alegações de cerceamento de defesa ou seletividade.
O atrito se soma a outros episódios recentes: Toffoli já havia criticado publicamente a PF por suposta “falta de empenho” e atraso na deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero (que deveria ocorrer em 24 horas após autorização em 12 de janeiro).
Ele também escolheu diretamente quatro peritos da corporação para analisar provas apreendidas (39 celulares, 31 computadores, 30 armas, R$ 645 mil em espécie, 23 veículos de luxo avaliados em R$ 16 milhões e documentos), rejeitando sugestões da própria PF e transferindo a custódia do material para a Procuradoria-Geral da República (PGR), com dispositivos mantidos carregados e desconectados de redes.
A primeira rodada de oitivas ocorreu em 30 de dezembro de 2025, com o banqueiro Daniel Vorcaro (dono do Master) e Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB), seguida de acareação.
Os próximos depoimentos envolvem ex-executivos do Master, do BRB e outros empresários. Toffoli argumenta que as audiências são essenciais “para o sucesso das investigações” e para proteger o Sistema Financeiro Nacional e seus usuários.
A investigação apura fraudes estimadas em R$ 12,2 bilhões na venda de carteiras de crédito inexistentes ao Banco de Brasília (BRB), com uso de documentos falsificados entre janeiro e maio de 2025. Toffoli prorrogou o inquérito por mais 60 dias (até março), atendendo pedido da PF, mas as intervenções judiciais têm gerado desconforto institucional na corporação, que vê risco à autonomia investigativa e à integridade das provas.
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) manifestou preocupação com possíveis prejuízos técnicos. O caso tramita em sigilo de Justiça, mas pressões crescem no Congresso por afastamento ou suspeição de Toffoli, devido a supostas ligações indiretas com envolvidos.
A PF ainda não se manifestou oficialmente sobre a nova determinação, mas fontes internas indicam que o cronograma apertado pode exigir ajustes operacionais significativos.


















