Crise de Petróleo em Cuba: reservas duram apenas 15 a 20 dias e blecautes aumentam com pressão dos EUA
O presidente americano Donald Trump assinou uma ordem executiva estabelecendo “emergência nacional” sobre Cuba. Segundo essa ordem, os EUA aplicarão tarifas sobre qualquer país que venda ou forneça petróleo para a ilha. Após perder o petróleo venezuelano, o regime comunista cubano perdeu também o petróleo mexicano que ainda “pingava” de tempos em tempos.
O fim dessas fontes significa que a crise energética na ilha, que já era muito grave, poderá agora alcançar um ponto catastrófico. Se Trump manter essa pressão, o regime comunista que controla a ilha desde os anos 50 não terá outra opção a não ser sentar e negociar aberturas políticas.
Cuba enfrenta uma das piores crises energéticas de sua história recente, com estoques de petróleo suficientes para apenas 15 a 20 dias de consumo atual, segundo dados da consultoria Kpler. A escassez se agravou drasticamente após a interrupção total das entregas de óleo da Venezuela, principal fornecedora do país, e a pressão exercida pelo governo dos Estados Unidos sobre outros fornecedores, como o México.
A situação piorou desde o início de janeiro de 2026, quando forças americanas capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, paralisando os envios de combustível que chegavam a uma média de quase 46.500 barris por dia (bpd) em dezembro de 2025.
A Venezuela era a única fornecedora de óleo combustível para geração de energia em Cuba, e o último carregamento ocorreu em novembro de 2025. Com isso, o país ficou sem esse suprimento essencial.
O México, maior exportador de petróleo para Cuba em 2025 (média de 37.000 bpd), cancelou um envio programado sob forte pressão do presidente Donald Trump, que prometeu “cortar o óleo” para a ilha.
Trump declarou em 11 de janeiro: “no more oil” para Havana. Até o momento, Cuba recebeu apenas uma carga mexicana em 9 de janeiro, equivalente a cerca de 3.000 bpd. Outros fornecedores históricos, como Rússia e Argélia, oferecem entregas esporádicas — a última da Rússia foi em outubro de 2025, e da Argélia em fevereiro de 2025.
Especialistas alertam para um colapso iminente. Jorge Piñón, da Universidade do Texas, afirmou: “
Eles estão enfrentando uma crise grave nas mãos” se novas entregas não chegarem nas próximas semanas. Gonzalo Monroy, consultor de energia no México, complementou: “Cuba dependia muito da Venezuela. Se agora só tem o México e o México está sob pressão dos EUA e não pode exportar, Cuba tem um problema enorme.”
Os impactos são sentidos na vida cotidiana: blecautes diários em grande parte do país, racionamento severo de energia, filas longas para combustível e paralisação parcial de transportes e atividades econômicas. A economia cubana, já fragilizada pela queda no turismo e na produção de açúcar, corre risco de colapso total sem suprimento de óleo.
O governo cubano respondeu com marchas de apoio e declarações de resistência. O presidente Miguel Díaz-Canel postou no X: “A dureza desses tempos e a brutalidade das ameaças contra Cuba não vão nos deter”
Trump previu que Cuba “vai falhar bem em breve”, destacando a dependência do país de recursos venezuelanos. Em 29 de janeiro, o presidente americano assinou ordem executiva impondo tarifas a bens de nações que vendam ou forneçam óleo a Cuba, ampliando a estratégia de pressão.
A crise energética soma-se a blecautes crônicos já registrados em 2024 e 2025, com déficits de geração que chegam a quase 2.000 MW em horários de pico, deixando mais da metade do país no escuro por longas horas.

















