Trump exige US$ 1 bilhão de países para garantir mandato permanente no “Conselho de Paz” de Gaza
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a criação de um novo órgão internacional chamado Conselho de Paz (Board of Peace), destinado a supervisionar a desmilitarização, reconstrução e transição governamental na Faixa de Gaza, como parte da segunda fase do acordo de cessar-fogo aprovado em outubro de 2025.
O conselho, revelado na sexta-feira (16/01/2026), será presidido pelo próprio Trump e inclui figuras como o secretário de Estado Marco Rubio, o genro Jared Kushner, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e outros nomes influentes.
De acordo com um rascunho da carta constitutiva enviado a cerca de 60 países (incluindo Brasil, Argentina, Canadá, Egito, Paraguai e Turquia), os membros terão um mandato inicial limitado a três anos, renovável apenas a critério do presidente do conselho – ou seja, Trump.
No entanto, há uma exceção financeira explícita: “O período de adesão de três anos não se aplicará aos Estados-Membros que contribuírem com mais de US$ 1.000.000.000 em fundos em dinheiro para o Conselho de Paz durante o primeiro ano de entrada em vigor da Carta”.
Essa cláusula, revelada por agências como Bloomberg e confirmada em reportagens da CNN Brasil, Reuters e G1, significa que uma contribuição mínima de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,3 bilhões na cotação atual) em dinheiro garante permanência indefinida no órgão, transformando o conselho em uma entidade com forte viés financeiro e controle centralizado no líder americano.
Trump descreveu o grupo como “o maior e mais prestigioso comitê já reunido”, com foco em reconstruir Gaza, promover estabilidade e estabelecer governança confiável.
O conselho conta com um Conselho Executivo fundador (presidido por Trump), um Conselho Executivo de Gaza (com representantes de Turquia, Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos e outros) e um Comitê Nacional para a Administração de Gaza (tecnocrático e palestino independente). Há ainda uma Força Internacional de Estabilização sob comando de um major-general americano.
Reações e controvérsias
O governo israelense, por meio do gabinete de Benjamin Netanyahu, criticou a composição do conselho, afirmando que não foi coordenada com Israel e contradiz sua política externa – especialmente pela inclusão da Turquia. Críticos internacionais apontam para uma lógica colonialista, já que o órgão supervisiona um território estrangeiro com poder decisório concentrado em um presidente americano.
No Brasil, o convite chegou à Embaixada em Washington na sexta-feira e foi encaminhado ao Itamaraty. O presidente Lula deve responder na semana seguinte, após prioridades como a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia. O governo avalia preocupações como a ausência de representação direta da Autoridade Palestina, a falta de consulta a Israel e o delicado equilíbrio entre múltiplos atores regionais.
A Casa Branca negou que haja uma “taxa obrigatória” para adesão, afirmando que não existe custo mínimo para entrar no conselho, mas que contribuições significativas garantem permanência e demonstram compromisso com a paz, segurança e reconstrução de Gaza – com os recursos sendo direcionados quase integralmente para esse fim, sem “salários exorbitantes ou burocracia excessiva”.
Implicações Geopolíticas
A proposta reforça a abordagem “America First” de Trump em assuntos internacionais, criando uma estrutura paralela a mecanismos da ONU com financiamento direto e controle executivo concentrado.
O conselho surge em um momento de trégua frágil em Gaza, onde a violência diminuiu, mas centenas de palestinos ainda morreram em incidentes desde outubro.
Membros adicionais serão anunciados nas próximas semanas.


















