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Trump divulga estratégia de “America First” e confronta Europa e China

A Casa Branca revelou na quinta-feira (4/12) a nova Estratégia de Segurança Nacional do presidente Donald Trump, um documento de 33 páginas que reforça a doutrina “America First” (“América Primeiro”, na tradução) e delineia um realinhamento radical da política externa dos Estados Unidos. 

O texto propõe a realocação de recursos militares no Hemisfério Ocidental, uma postura agressiva contra a Europa e uma abordagem dúplice em relação à China, priorizando contenção militar e laços econômicos equilibrados.

A estratégia responde a um apelo de Trump por um “reajuste” da presença militar americana no Hemisfério Ocidental, visando combater a imigração ilegal, o narcotráfico e a influência de potências adversárias na região. 

O plano inclui maior presença da Guarda Costeira e da Marinha dos EUA, além do envio de tropas para “garantir a segurança da fronteira e derrotar os cartéis, incluindo, quando necessário, o uso de força letal”.

O documento enquadra essas ações como um “Efeito Trump” à Doutrina Monroe – política de 1823 que visava impedir interferências europeias no continente americano. “Os Estados Unidos devem ser preeminentes no Hemisfério Ocidental como condição para nossa segurança e prosperidade – uma condição que nos permita afirmar nossa presença com confiança onde e quando precisarmos na região”, afirma o texto.

A medida ocorre em meio a uma campanha controversa do governo americano contra supostos barcos de narcotráfico em águas internacionais, que já destruiu pelo menos 23 embarcações e resultou na morte de 87 pessoas. 

Especialistas jurídicos e membros do Congresso questionam a legalidade dessas operações, alegando violações ao direito internacional.

Postura inédita contra a Europa

A seção dedicada à Europa representa uma escalada sem precedentes, alertando que as nações do continente enfrentam um “declínio econômico” que poderia ser “eclipsado pela perspectiva real e mais sombria do apagamento da civilização”. 

O documento argumenta que “a longo prazo, é mais do que plausível que, em poucas décadas, certos países que integram a Otan se tornem majoritariamente não europeus”, questionando se esses aliados manteriam o mesmo compromisso com os EUA.

A estratégia culpa a guerra na Ucrânia por aumentar a “dependência externa da Europa, especialmente da Alemanha”, e afirma que “uma grande maioria europeia quer a paz, mas esse desejo não se traduz em políticas, em grande parte devido à subversão dos processos democráticos por esses governos”. 

As autoridades europeias são acusadas de bloquear iniciativas americanas para encerrar o conflito, e o texto defende uma “cessação rápida das hostilidades” para estabilizar economias, evitar escaladas e restaurar laços com a Rússia.

“É de interesse fundamental dos Estados Unidos negociar uma cessação rápida das hostilidades na Ucrânia, a fim de estabilizar as economias europeias, prevenir a escalada ou expansão não intencional da guerra e restabelecer a estabilidade estratégica com a Rússia, bem como permitir a reconstrução da Ucrânia após as hostilidades para possibilitar sua sobrevivência como um Estado viável”, justifica o documento.

Mais adiante, o texto vai além, explicitando esforços para influenciar a política interna dos aliados: a abordagem americana deve priorizar “cultivar a resistência à trajetória atual da Europa dentro das nações europeias”. “Caso as tendências atuais persistam, o continente será irreconhecível em 20 anos ou menos. […] Queremos que a Europa continue europeia, que recupere a sua autoconfiança civilizacional e que abandone o seu foco falho na sufocação regulatória”, prossegue.

A porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, reagiu em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (5), afirmando que os líderes europeus ainda não analisaram o documento e não estavam em “posição para comentar”. 

A estratégia também reitera a oposição a uma Otan em expansão constante e ecoa críticas anteriores, como o discurso do vice-presidente JD Vance em Munique, em fevereiro, onde ele alertou que a maior ameaça à segurança europeia vem “de dentro”. “O que me preocupa é a ameaça interna, o afastamento da Europa de alguns de seus valores mais fundamentais”, declarou Vance na Conferência de Segurança de Munique.

Abordagem de duas vias com China e Taiwan

Em relação à China, o documento adota uma estratégia dupla: conter a influência global de Pequim enquanto preserva laços econômicos e mantém o status quo em Taiwan. 

“Impedir um conflito sobre Taiwan, idealmente preservando a superioridade militar, é uma prioridade”, afirma o texto, que defende a “manutenção de uma relação econômica genuinamente vantajosa para ambas as partes” com foco em “reciprocidade e equidade”, reduzindo a dependência americana.

Essa reformulação é vista como essencial para o crescimento econômico dos EUA, projetando uma elevação da economia de “US$ 30 trilhões em 2025 para US$ 40 trilhões na década de 2030”. 

As alianças são tratadas como instrumentais, não intrínsecas: uma “ampla rede de alianças, com aliados e parceiros de tratados nas regiões estrategicamente mais importantes do mundo”, usadas como ferramentas em uma estrutura que rompe com normas tradicionais.

“O presidente Trump usa diplomacia não convencional, o poderio militar americano e a influência econômica para extinguir cirurgicamente as brasas da divisão entre nações com capacidade nuclear e as guerras violentas causadas por séculos de ódio”, conclui o documento, sinalizando uma visão pragmática e transacional da diplomacia global.

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