Trump ameaça Irã com “medidas muito duras” caso regime execute manifestantes em meio a repressão violenta
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra o regime iraniano na terça-feira (13/1), declarando que Washington adotará “medidas muito duras” se o Irã prosseguir com a execução de manifestantes presos durante a onda de protestos que sacode o país há mais de duas semanas.
A declaração foi feita em entrevista à CBS News, no contexto de relatos sobre a iminente execução de Erfan Soltani, um jovem de 26 anos condenado à morte por suposta participação nos atos contra o governo dos aiatolás.
Trump, ao ser questionado sobre possíveis enforcamentos, afirmou não ter confirmação oficial de execuções realizadas até o momento, mas alertou diretamente sobre as consequências:
“Eu não ouvi falar de enforcamentos. Se eles enforcarem, vocês vão ver algumas coisas. Nós tomaremos medidas muito duras se fizerem esse tipo de coisa.” Ele completou: “Isso não terminará bem para o Irã.”
A ameaça surge em um momento crítico: organizações de direitos humanos, como a Hengaw Organization for Human Rights e a Human Rights Activists News Agency (HRANA), reportam que Erfan Soltani deve ser enforcado nesta quarta-feira (14), tornando-se potencialmente o primeiro manifestante executado na atual onda de protestos. O jovem foi detido em 8 de janeiro em Fardis (próximo a Teerã), sem direito a advogado ou devido processo legal, segundo relatos da família e ativistas.
Os protestos no Irã, iniciados em 28 de dezembro de 2025 por questões econômicas como inflação galopante e colapso do rial, evoluíram para demandas radicais pelo fim do regime teocrático. As manifestações se espalharam por mais de 100 cidades, enfrentando repressão brutal com uso de armas de fogo, gás lacrimogêneo e corte quase total de internet desde 9 de janeiro.
Estimativas de vítimas variam: a HRANA registra mais de 2.000 mortos e milhares de detidos, enquanto autoridades iranianas admitem cerca de 2.000 óbitos, atribuindo-os a “terroristas”.
Trump reforçou seu apoio aos manifestantes em mensagens anteriores, incentivando-os a continuar nas ruas e afirmando que “a ajuda está a caminho”, sem especificar detalhes (possíveis medidas econômicas, sanções ou apoio tecnológico, como acesso ao Starlink). Ele também cancelou reuniões com autoridades iranianas até o fim do que chamou de “assassinato sem sentido” de manifestantes.
A declaração gerou repercussão imediata na imprensa internacional e reacendeu tensões entre Washington e Teerã. O governo iraniano rebate acusações de interferência externa, classificando as ameaças americanas como pretexto para intervenção militar.
Enquanto isso, o Departamento de Estado dos EUA criticou a falta de devido processo nos julgamentos rápidos, e entidades como a Anistia Internacional alertam para o risco de execuções em massa como ferramenta de intimidação.
O caso de Erfan Soltani e as ameaças de Trump destacam a escalada da crise no Irã, com o regime enfrentando seu maior desafio interno desde a Revolução Islâmica de 1979, em meio a isolamento regional e fragilidade econômica.


















