Fim da participação em entidades da ONU e acordos climáticos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quarta-feira (7 de janeiro de 2026) um memorando presidencial determinando a retirada imediata dos EUA de 66 organizações internacionais.
A medida abrange 31 entidades ligadas à ONU e 35 organizações fora do sistema das Nações Unidas, sob a justificativa de que essas instituições “já não servem aos interesses” nacionais americanos.
De acordo com anúncio oficial da Casa Branca, a decisão faz parte de uma revisão ampla de todos os acordos, tratados e participações internacionais dos EUA, alinhada à política “América em Primeiro Lugar”.
O governo argumenta que muitas dessas organizações promovem agendas “globalistas” que contrariam as prioridades americanas, incluindo questões de clima, gênero, migração e direitos humanos.
Entre as principais baixas destacam-se:
- A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), base dos acordos climáticos globais;
- O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), principal órgão científico da ONU sobre o aquecimento global;
- A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco);
- A Organização Mundial da Saúde (OMS);
- Outras como a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), UN Oceans, UN Water, Acnur (Alto Comissariado para os Refugiados) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).
A saída reforça a rejeição de Trump ao consenso científico sobre as mudanças climáticas causadas pela atividade humana, priorizando o apoio aos combustíveis fósseis e à soberania nacional.
Trump já havia retirado os EUA do Acordo de Paris e da OMS durante seu primeiro mandato (2017-2021), decisões revertidas por Joe Biden, mas agora retomadas com maior amplitude.
A Casa Branca enfatizou que a medida encerra o financiamento e a participação americana em entidades consideradas ineficientes ou contrárias aos interesses dos contribuintes dos EUA.
O secretário de Estado Marco Rubio classificou as organizações como “inúteis ou dispendiosas”, afirmando que a decisão cumpre promessas de campanha para evitar subsídios a “burocratas globalistas”.
A decisão gerou repercussão imediata. O comissário europeu para a Ação Climática, Wopke Hoekstra, lamentou a saída da UNFCCC, descrevendo-a como “lamentável e infeliz”, e reafirmou o compromisso da União Europeia com a cooperação internacional no clima.
Essa ampla retirada marca uma das maiores rupturas com o multilateralismo na história recente dos EUA, afetando áreas como clima, saúde global, ajuda humanitária e cooperação científica.
Especialistas alertam para impactos em orçamentos de agências da ONU e redução da influência americana em fóruns internacionais, enquanto o governo Trump defende a realocação de recursos para prioridades domésticas.


















